... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Este país não é para doentes

Um breve telefonema para o centro de saúde foi o suficiente para saber que o meu médico de família está de férias. Expliquei, então, que tinha três exames médicos com alguma urgência para fazer e perguntei se algum outro médico me poderia passar as credenciais do Serviço Nacional de Saúde. Do outro lado responderam que sim, que poderia aparecer no dia seguinte a partir das oito da manhã, que um outro médico trataria do assunto. E assim o fiz!

 

Manhã cedo (confesso, já eram 9.30 horas) dirigi-me ao centro de saúde com as guias do médico particular e na secretaria expliquei ao que ia. "A esta hora, já não há pode tratar do assunto", responderam. Perante o meu ar espantado e interrogador, explicaram-me que para poder ter direito à consulta do tal médico que substitui o meu teria que fazer marcação prévia, mas que até ao dia 15 de Junho estavam as consultas todas preenchidas. A outra solução era vir no próprio dia bem cedinho ("Entende, mesmo cedinho?") e, com alguma sorte, poderia arranjar uma vaga e ficar com o problema resolvido. Ou então, esperar pelo regresso do meu médico de família e aparecer de surpresa e pedir-lhe, encarecidamente, que me passe as credenciais para que, finalmente, eu possa fazer os exames médicos.

 

Definitivamente, este país não é para doentes!




Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
As contas da saúde

Numa pacata vila alentejana, uma jovem vai ao seu médico de família com uma carta do otorrino que tinha consultado em Lisboa, por causa de um problema crónico que tem no septo nasal. Nessa carta, o especialista solicita ao colega que passe um P1 para que a doente possa realizar uma TAC. Mas o médico de família, no alto da sua imensa sabedoria e preocupado que está com os gastos do serviço nacional de saúde, recusa. Diz que no exame não é necessário, que um raio-X é o suficiente para identificar o real problema e, além disso, faz questão de sublinhar, é muito mais barato.

 

 

Uns dias mais tarde, a mesma jovem regressa ao consultório do seu médico de família, já com os resultados do raio-X e com a respectiva carta do especialista que o realizou. Nessa carta, o médico especialista diz que não foi possível identificar o problema e recomenda a realização de uma TAC, exame mais profundo e, por isso, mais aconselhável neste caso. O médico de família continua a dizer que não, que a TAC é um exame extremamente caro e que, neste caso, é desnecessário. A paciente (que nessa altura já perdeu toda a paciência) insiste na necessidade de realizar uma TAC tendo em conta a recomendação de dois médicos diferentes, relata-lhe todos os sintomas que sente e as dores e o desconforto, mas o médico de família, preocupado com as contas da saúde, continua a negar. Até que ao fim de uma hora e meia de discussão, em que os outros pacientes impacientemente estiveram à espera de ser atendidos, talvez rendido pelo cansaço, o médico de família passa o P1 para que a jovem possa realizar a tão necessitada TAC.




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"Génese e desenvolvimento do movimento feminista português (1890-1930)", dissertação de mestrado em História do século XX, FCSH/UNL, Abril de 2005
Em co-autoria: "Memórias da Siderurgia - Contribuições para a História da Indústria Siderúrgica em Portugal", coordenação Maria Fernanda Rollo, ed. História e Câmara Municipal do Seixal, 2005
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