... ou a arte de bem fazer política à portuguesa
Sexta-feira, 20 de Março de 2009
O anúncio da polémica

O anúncio irritavamente profundamente porque não conseguia perceber que raio de mensagem pretendia transmitir. Tanto a forma como o conteúdo me pareciam totalmente despropositados para publicitar um serviço de notícias e, talvez por isso, não me tenha apercebido dessa mensagem subrepticia contra um dos maiores valores da democracia: o direito à manifestação! A polémica que estalou em torno deste spot publicitário, transmitido amiudadas vezes na RTP, é manifestamente exagerada quando comparada com tantos outros filmes publicitários que passam nos canais de televisão e de rádio, que são publicados nos jornais e revistas e mesmo na Internet. Alguns são verdadeiros atentados a direitos constitucionais e ninguém os critica. Desta vez, só porque o Governo menosprezou a grandeza da manifestação da GGTP da semana passada, considera-se que o anúncio faz parte de uma campanha negra contra quem quer manifestar-se contra o Executivo de Sócrates.




Quinta-feira, 19 de Março de 2009
O monstro foi condenado

Josef Fritzl, o austríaco que manteve a filha prisioneira durante 24 anos, que a violou repetidamente, que lhe fez sete filhos, um dos quais morreu por falta de assistência médica e cujo corpo incinerou numa caldeira, foi hoje condenado a prisão perpétua numa instituição psiquiátrica. O monstro de Amestetten, como ficou conhecido, só no segundo dia de julgamento assusmiu a culpa no homicídio de um dos seus filhos-netos e mostrou arrependimento (?!). Confesso que me surpeendeu a decisão do tribunal em ordenar que a pena seja cumprida numa instituição psiquiátrica, uma vez que Fritzl foi considerado imputável, ou seja, como estando na posse de todas as suas faculdades mentais durante o longo período em que cometeu os crimes. Além de que, de acordo com a lei austríaca, Fritzl pode ser posto em liberdade ao fim de 15 anos , caso os médicos o considerem curado.




Quarta-feira, 18 de Março de 2009
Drinking spiking - cuidado com o que bebe

Este video foi-me hoje enviado por um amigo e recordou-me uma reportagem que escrevi há quatro anos, sobre um fenómeno que cada vez mais preocupa as autoridades policiais em todo o mundo, incluindo as portuguesas. Veja o video com atenção:

 

 

 

O "drinking spiking" (ou adulteração de bebidas) consiste na adição de uma substância psicotrópica na bebida de alguém sem o conhecimento desta. Normalmente, este tipo de crime ocorre em bares, discotecas e mesmo em festas privadas, por isso, há que ter muita atenção com as bebidas que se consomem nesses locais. Por se tratarem de substâncias inodores, incolores e insípido, a vítima não detecta a sua presença.

 

Na altura em que realizei a reportagem, o comandante da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa, Dário Prates, explicava que normalmente este crime, o drinking spiking, tinha como objectivo a prática de outro crime: o roubo e/ou a violação. E deixava alguns conselhos:

- nunca aceitar bebidas de desconhecidos;

 

- mesmo que peça a bebida directamente ao empregado do bar, esteja sempre atento aos seus movimentos e prefira que lhe tragam a bebida numa garrafa com tampa selada do que em copo;

 

- em caso algum, mesmo quando vai para a pista de dança, perca a sua bebida de vista;

 

- se sentir algum efeito estranho após a ingestão de uma bebida, alerte de imediato alguém da sua confiança ou um empregado do bar bem como as autoridades policiais;

 

- a vítima deve ser observada por um médico o mais rápido possível, visto que o exame toxicológico deve ser feito, no máximo, até 72 horas após a ingestão da bebida adulterada;

 

- a preservação de provas (roupa, o copo por onde bebeu, etc.) é também primordial.

 

 




Terça-feira, 17 de Março de 2009
O mau exemplo das Polícias Municipais

O caso foi denunciado na segunda-feira nas páginas do Diário de Notícias. Os segways (transporte pessoal eléctrico, auto-equilibrável) não podem circular em espaços públicos, por não estarem devidamente regulamentados e homologados em Portugal, pelo que quem os utilizas nestes locais está sujeito ao pagamento de uma coima e a ver o veículo apreendido.

 

 

Até aqui nada de muito estranho! O mesmo se passa com as minimotas, que há bem poucos anos invadiram o mercado português e que eram vistas em vários bairros, a circular livre e perigosamente nas ruas. A grande questão, no caso dos segways, é que vários corpos de polícia municipal utilizam este meio de transporte para facilitar a mobilidade dos seus agentes. Em Lisboa, por exemplo, facilmente nos cruzamos com eles na zona da Baixa/Chiado, muito sorridentes e sempre disponíveis para posar para os muitos turistas que por ali circulam.

 

Tendo em conta que uma das obrigações destas polícias é a "regulação e fiscalização do trânsito rodoviário e pedonal na área de jurisdição municipal" e a "fiscalização das normas de estacionamento de veículos e de circulação rodoviária" é caso para perguntar: que autoridade moral e legal tem um agente da polícia municipal para autuar quem esteja no incumprimento de uma regra do Código da Estrada, se esse mesmo agente circula, muitas vezes, na via pública num veículo proibido?




Segunda-feira, 16 de Março de 2009
Assim vai a democracia portuguesa...

A pouco mais de um mês de comemorarmos o 35º aniversário do 25 de Abril, ainda sobrevivem em Portugal vários resquícios de práticas de governo do tempo da outra senhora. Manter o povo na ignorância é ainda uma das melhores formas de o manter calado quanto ao que possa ser mais ou menos lícito em termos de governação, seja ela a nível central ou local. O exemplo que a seguir vos apresento passou-se na freguesia de Canelas, no concelho da Régua, e foi originalmente publicado em Notícias do Douro (www.dodouro.com):

 

 

SECÇÃO: Região

quero, posso e mando
Justiça musculada...

Secretário da Junta de Freguesia de Canelas, Régua, proíbe a presença de municípes em reunião pública da Assembleia de Freguesia

foto
Membros da assembleia abandonam a sala em sinal de protesto e apresentam queixa no Ministério Público
Os membros da Freguesia de Canelas, José Carlos e Paulo Primo abandonaram a última reunião da Assembleia de Freguesia após a proibição por parte do Secretário da Junta de Freguesia não ter permitido a presença de munícipes na mesma.
Após este episódio inédito, já que por lei as Assembleias de Freguesia são públicas, o Presidente da Mesa da Assembleia deu por encerrada a mesma em virtude de entender que não estavam reunidas as condições para funcionamento da mesma.
Temos tido ao longo do tempo uma postura séria e responsável em nome da população de Canelas, no entanto não podemos ficar calados quando verificamos atitudes como a que ocorreu na última Assembleia onde o Secretário da Junta de Freguesia, claramente motivado pelo presidente da junta, é que determinava quem podia ou não estar presente na Assembleia.
Durante estes três anos temos tido uma postura de colaboração tentando alertar o Executivo, assim como todos os elementos que compõem a Assembleia dos graves erros que vêem sendo cometidos. Infelizmente não temos tido a receptividade esperada por parte dos elementos da Assembleia que muitas vezes votam assuntos que permitem que a Junta continue a fazer o que lhes vai na real gana, mesmo sabendo que estão erradas.
Além de não existir rigor e disciplina nas reuniões da assembleia de freguesia, temos certeza que o órgão executivo da junta tem tratado as questões, no que trata ao cumprimento das competências da assembleia de freguesia, com leviandade e descrédito, está á vista de todos que fazem o que bem lhes apetece. Situação com a qual não podemos ser coniventes.
Abandonamos a sala, uma vez que até o Presidente da Mesa da Assembleia foi desautorizado, motivo pelo qual também ele deu por encerrada a Assembleia.
Estamos perante o Órgão máximo da Freguesia e esta postura é inadmissível em democracia, não são publicitadas as Assembleias, como determina a Lei, estivemos cerca de um ano sem reunir desta forma não é possível cumprir a missão para a qual fomos eleitos acompanhar e fiscalizar a actividade do executivo da Junta de Freguesia.
Não é possível a quem foi eleito para defender os interesses da população de Canelas realizar qualquer tipo de acompanhamento e fiscalização se não há reuniões, se não temos conhecimento da actividade da Junta.
Iremos em nome dos superiores interesses da população de Canelas apresentar uma queixa-crime ao Ministério Público, para que os mais elementares princípios pelos quais se rege uma democracia sejam repostos na Freguesia de Canelas.
 

 

 




Domingo, 15 de Março de 2009
Porque hoje é domingo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Sábado, 14 de Março de 2009
Sugestão de blogue

 

Luís Castro é um dos melhor jornalistas portugueses. Neste blogue, que pode ser consultado em http://cheiroapolvora.blogs.pt, pode acompanhar alguns dos seus trabalhos, as notícias do dia-a-dia e das actividades da "Missão Infinita", a ONG que criou.




Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Porquê?

Olhe atentamente para o rosto deste jovem. Chamava-se Tim Kretschmer e tinha 17 anos. Nesta foto aparenta ser um jovem normal, calmo, feliz com a vida. Tim gostava de se divertir com jogos violentos na internet e o pai levou-o algumas vezes a uma carreira de tiro para praticar a pontaria.

 

Hoje de manhã, sem ninguém saber o porquê, Tim vestiu-se com um camuflado negro, muniu-se de uma arma que os pais guardavam no quarto e com a qual já tinha praticado tiro algumas vezes e dirigiu-se à sua antiga escola, a secundária de Albertville, perto de Estugarda, na Alemanha. Ali matou nove alunos e três professores. Na fuga matou mais três pessoas e após uma troca de tiros com a polícia, acabou por suicidar-se.

 

Casos como este têm-se multiplicado, principalmente nos Estados Unidos e na própria Alemanha, sem que alguém consiga explicá-los. O que levará pessoas tão jovens a matar indiscriminadamente? E a suicidarem-se em seguida? Estarão os jovens a perder a confiança no futuro?




Terça-feira, 10 de Março de 2009
Happy Woman?

Não podia ter sido pior a escolha da capa da revista Happy Woman que assinala o terceiro aniversário da publicação. A imagem de uma mulher com aspecto andrógino, com expressão assustada como se alguém (o leitor?) estivesse a ponto de a atacar e com as mãos a cobrir os seios nus, como se sentisse vergonha do seu corpo. É este o modelo de uma Happy Woman??!! 

 

 

A imagem da capa da revista está espalhada por toda a cidade. Nas estações do metro, sobre um fundo verde alface, e em mupis nas ruas. Num desses mupis pelos quais passo diariamente, alguém colou um papel onde tinha escrito - "Happy = Anoretic". Concordo perfeitamente. É mesmo esta a ideia que aquela imagem transmite, a de que para sermos mulheres felizes temos que ser anoréticas, doentes, frágeis. Nada mais longe da verdade!




Segunda-feira, 9 de Março de 2009
António Costa e a (in)segurança dos cidadãos

Não sei se entendi bem, confesso! Na sequência do tiroteio que ocorreu na noite de ontem no Bairro Portugal Novo, nas Olaias, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, disse hoje que "por não se tratar de um bairro municipal, mas sim de iniciativa de uma cooperativa" é uma propriedade "estranha ao município". E, por isso, a autarquia nada tem a ver com o assunto.

 

Mesmo já tendo sido alertada pela PSP e pela própria Junta de Freguesia dos problemas de insegurança e de degradação urbanística e social sentidos naquela zona, a Câmara descarta-se de qualquer responsabilidade só porque o bairro não é municipal. Aquele, diz António Costa, é um caso de Polícia, dos polícias da esquadra que ali funciona mesmo ao lado.

 

 

Quem ali mora não tem os mesmos direitos, nem a mesma atenção por parte da Câmara de Lisboa por não viver num bairro municipal. Se o pensamento é este, então grande parte do território do concelho não é da responsabilidade da Câmara. Então, não se entende por que razão os agentes da Polícia Municipal patrulham a zona da Baixa/Chiado, uma vez que ali não existem casas municipais. Não se entende por que é que estes mesmos agentes patrulham a zona das Avenidas Novas. Aqui, também não há casas municipais, bem pelo contrário. 

 

Não sei se entendi bem, confesso! 




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"Génese e desenvolvimento do movimento feminista português (1890-1930)", dissertação de mestrado em História do século XX, FCSH/UNL, Abril de 2005
Em co-autoria: "Memórias da Siderurgia - Contribuições para a História da Indústria Siderúrgica em Portugal", coordenação Maria Fernanda Rollo, ed. História e Câmara Municipal do Seixal, 2005
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