... ou a arte de bem fazer política à portuguesa
Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
Crise? Qual crise?

Todos os dias ouvimos falar dela, de manhã à noite. Dessa crise financeira mundial que começou do outro lado do Atlântico, mas que rapidamente chegou aos nossos bolsos sem pedir licença. Todos os dias ouvimos dizer que os índices bolsistas tocaram no vermelho e que o pânico está prestes a instalar-se. Sem percebermos muito bem a engrenagem desta máquina complexa. Mas o sistema é mais simples do que parece à primeira, como se pode depreender desta Parábola do Índio, que tomei emprestada do blogue «Cheiro a Pólvora» (http://cheiroapolvora.blogspot.com) do meu colega da RTP Luís Castro:

 

«Os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um chefe índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo. No entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, que deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.

Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia: dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou: "O próximo Inverno vai ser frio?" -"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio", respondeu o meteorologista de serviço.

O chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico: "Vai ser um Inverno muito frio?" "Sim!", responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".

Mais uma vez o chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional: "Vocês têm a certeza de que este Inverno vai ser mesmo muito frio?" "Absolutamente!" respondeu o homem, "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."

"Como podem ter tanta certeza?", perguntou o chefe. O meteorologista respondeu: "Os índios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."»



Publicado por Fátima Mariano às 15:56
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008
Saramago - 10 Anos de Nobel

Descobri José Saramago, o escritor, em 1992, quando espoletou a polémica em torno de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, com o então subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, a excluir o livro da lista de concorrentes ao Prémio Literário Europeu sob o argumento de que este não representava Portugal. Revoltou-me o facto de um governante de um Estado laico censurar um livro porque este colocava em causa um dos dogmas da Igreja Católica. E fiquei deveras surpreendida ao ler tão polémica obra.

 

 

A partir daí, tentei ler todas as obras de José Saramago e sempre que é anunciado o lançamento de um novo livro, aí estou eu nas livrarias à procura dele. Devoro (passe o exagero!) cada livro de Saramago. E nem a sua escrita sui generis, que para muitos é motivo suficiente para deixar uma obra a meio, me leva a desistir. Saramago é um dos melhores autores de língua portuguesa da actualidade. Poucos como ele conseguem retratar a sociedade em que vivemos e denunciar os seus podres. Só alguém com uma sensibilidade acima do comum e uma relação estreita com a escrita é capaz de tal feito. Dez anos depois do Nobel, Saramago continua de parabéns!


Jamé...:


Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008
Tiro ao pombo

Algumas Câmara Municipais encontraram uma forma económica de acabar com as populações de pombos que vivem nas cidades: matando-os a tiro. Em Beja, por exemplo, nas últimas três semanas foram abatidas 4000 destas aves através deste método, tendo a autarquia gasto apenas mil euros na compra dos cartuchos. Em Moura, outro concelho alentejano, esse número vai já nos 2500 pombos. As aves são abatidas por grupos de caçadores que, assim fazem o gosto ao dedo e treinam sem gastos adicionais, uma vez que os cartuchos são fornecidos pelas autarquias.

 

 

Não nego que os pombos se possam tornar uma praga, uma vez que facilmente se reproduzem, nem nego que causam problemas nos edifícios e podem tornar-se num caso de saúde pública (embora não tão grave como muita gente por vezes quer fazer crer). Mas matá-los desta forma, tendo apenas em conta o lado económico da questão, é um acto bárbaro, próprio de quem não respeita os animais. O que acontece se o tiro acertar de raspão ou atingir o pombo de uma forma não letal? Deixam-no simplesmente a sofrer até que a morte chegue?

 

 

Ainda recentemente, numa das mais belas praças de Setúbal (a Praça du Bocage), encontrei dezenas de pombos, alguns moribundos, outros já mortos. Alegadamente, devido a veneno que lhes terão colocado na água. Não imaginam o horror com que adultos e crianças olhavam para aquele cenário de horror, impotentes perante o olhos dos pombos moribundos.

 

 

Há métodos menos dolorosos e menos bárbaros para reduzir as populações de pombos, nomeadamente, colocando na comida produtos que impeçam a reprodução das aves. Mas, infelizmente, nestes casos, as Câmaras Municipais preocupam-se mais com a questão económica, como se os pombos não fossem animais de plenos direitos como todos os outros. E há ainda quem se divertida com tudo isto. Infelizmente, é o país que temos! 


Jamé...:


Domingo, 5 de Outubro de 2008
Porque hoje é Domingo...

Porque hoje é Domingo, não me apetece pensar muito. Por isso, deixo-vos aqui as respostas que um sociólogo brasileiro encontrou para algumas das perguntas mais estranhas que alguma vez já foram formuladas. Espero que aprendam alguma coisa.

 

1 - Por que é que a laranja se chama laranja e o limão não se chama... verde?

Porque laranja vem do termo árabe "narandja" e limão tem origem na palavra persa "laimun". Além disso, a cor é que recebeu o nome da fruta e não o contrário.

 

 

2 - Por que é que as portas das lojas que estão abertas 24 horas têm fechaduras?

Porque essas lojas estão fechadas nos dias feriados e aos fins-de-semana.

 

 

3 - Por que é que "separado" se escreve tudo junto e "tudo junto" se escreve separado?

Porque "separado" é um adjectivo e "tudo junto" um pronome indefinido associado a um adjectivo.

 

 

4 - Por que é que os kamikazes usavam capacete?

Porque no código de honra da aeronáutica, o capacete faz parte do fardamento, que é a identidade da corporação.

 

 

5 - Por que é que se deve usar uma agulha esterilizada para administrar a injecção letal num condenado à pena de morte?

 Porque os condenados à morte estão sob a supervisão da Amnistia Internacional , que confere aos presos condições humanitárias mínimas.

 

 

6 - Quando inventaram o relógio, como é que sabiam as horas, para poderem acertá-lo?

Ele foi acertado às 12 horas, quando o Sol estava em perfeita perpendicularidade com a Terra.

 

 

7 - Para que serve o bolso de um pijama?

Para guardar a dentadura e aquecer as mãos enquanto se vê televisão.

 

 

8 - Por que é que os aviões não são fabricados com o mesmo material utilizado nas caixas pretas?

Porque a caixa preta é feita com um material de alta densidade. Se o avião fosse construído com essa material, nem sequer levantava voo, de tão pesado.

 

 

9 - Por que é que os Flinstones comemoravam o Natal, se eles viviam na época Antes de Cristo?

Por uma questão de arquétipo: quem criou os Flinstones nasceu depois de Cristo.

 

 

10 - Se o Pluto e o Pateta são cães, por que é que o Pateta fala e o Pluto não?

Porque o Pateta pertence à espécie canis erectus!

 

 

BOM DOMINGO


Jamé...:
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
Também quero uma casa em Lisboa

Tive que ler pelo menos duas vezes e, ainda agora, não percebi se fala a sério ou se está a gozar connosco. Com aqueles cidadãos que recusam recorrer à cunha e ao amiguismo para daí colher benefícios próprios. Refiro-me a uma notícia publicada hoje no Diário de Notícias, onde se esclarece que a Câmara Municipal de Lisboa "não deu casa a Anita Guerreiro". Começo por não perceber por que razão o esclarecimento, que se apresenta em forma de notícia, tem o título a vermelho, destacando-se de todos os outros da mesma secção. as isso não é o mais chocante.

 

 

No corpo da notícia explica-se que, ao contrário do que tem sido ventilado na comunicação social, a fadista Anita Guerreiro não vive em qualquer casa arrendada pela Câmara de Lisboa. Não que não tenha tentado a sua sorte. A própria assume que há seis anos escreveu à autarquia a solicitar a cedência de uma casa, mas que o pedido nunca foi satisfeito. E por que pedia a fadista a casa? Aconselho-vos a sentarem-se confortavelmente antes de lerem a justificação.................

 

 

Anita Guerreiro queria uma casa da Câmara porque vivia no Cacém e "o facto de trabalhar até de madrugada impedia-a de regressar a casa de transportes públicos, tendo de se deslocar de táxi, o que se tornava muito oneroso".

 

 

Confesso que ainda agora não sei bem o que dizer em relação a estes argumentos. A não ser que a mim também me dava jeito ter uma casa em Lisboa, de preferência com uma renda bem baixínha, para aqueles dias em que não me apetece ser mais uma sardinha em lata no metro, para as noites em que me apetece dançar até às tantas e fico demasiado cansada para conduzir até casa ou, simplesmente, por que há dias em que não me apetece gastar cerca de uma hora no trajecto entre casa e o emprego. Tudo também boas razões, não acham? 


Jamé...:

Publicado por Fátima Mariano às 21:07
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008
Câmara de Lisboa arrenda Avenida da Liberdade

Não deixa de ser irónico! Na semana em que a polémica sobre o arrendamento de casas camarárias a funcionários, familiares, amigos e afins se agudizou, ficou a saber-se que a Câmara de Lisboa vai arrendar também, durante dois dias, a Avenida da Liberdade a uma conhecida marca de automóveis. Pelo menos, esperamos que a ocupação deste espaço público, ao que parece, à revelia dos vereadores da oposição, não se faça a título gratuito.

 

 

Durante um fim-de-semana (25 e 26 de Outubro), um dos principais acessos ao centro da cidade estará vedado ao trânsito para que a Renault apresente o seu mais recente monovolume pelas mãos do conhecido piloto Nélson Piquete Júnior. A avenida, que outrora foi um dos principais locais de passeio da capital, transformar-se-á em salão automóvel e pista de rali, uma vez que estão previstas manobras típicas da alta competição automóvel.

 

 

Não deixa de ser também irónico que uma Câmara que se queixa de que a cidade está a abarrotar de carros, que apela constantemente ao uso do transporte público e que, inclusive, já discutiu a possível introdução de portagens nas principais entradas, tenha cedido (gratuitamente?) um dos mais preciosos espaços públicos de Lisboa para uma acção publicitária... de automóveis. E esta, hein?!


Jamé...:

Publicado por Fátima Mariano às 20:13
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Assalto à PJ

Quando a casa da própria Polícia Judiciária é assaltada, que segurança deverá esperar o simples cidadão a quem essa própria Judiciária e o Governo prometem um acérrimo combate ao crime? De que serve ao ao Ministro da Justiça dizer agora que foi aberto um inquérito para purar responsabilidades e perceber como tudo começou. Como em muitos outros casos, só depois de casa roubada é que o Estado coloca trancas na porta.

 

 

O assalto foi cometido na madrugada de sábado por um toxicodependente (entretanto já detido) que através do método de escalamento conseguiu entrar num dos andares do edifício onde está sediada a Direcção Central de Combate ao Banditismo, secção responsável pelo crime violento. Sem qualquer obstáculo, conseguiu apoderar-se de três computadores pessoais de inspectores e de duas armas de fogo. Deu-se o caso de o indivíduo querer apenas fazer dinheiro para o consumo da droga e, por isso, rapidamente colocou os artigos à venda na Feira da Ladra. Mas imaginemos que o ladrão tinha outras intenções. Que utilizaria as armas de fogo para cometer outros crimes, que através dos computadores dos inspectores se apoderava de informação confidencial e indelicada, que... Os cenários são quase infinitos.

 

 

Não se justifica que um edifício onde funcionem serviços tão importantes como este exista apenas um segurança e que as câmaras de vigilância não funcionem. Infelizmente, este não foi o primeiro (nem será o último) caso de assaltos a instalações das forças de segurança. Por isso, o cidadão comum pergunta: se até a própria casa da Polícia Judiciária é assaltada, que tipo de segurança somos supostos esperar da parte dos agentes do Estado?

 


Jamé...:

Publicado por Fátima Mariano às 20:43
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Dia Internacional das Pessoas Idosas

Se alguma valia têm os "Dias Nacionais/Mundiais/Internacionais" é o de nos fazerem pensar em assuntos sobre os quais no corre-corre das nossas vidas habitualmente não reflectimos. Acabam também por marcar a agenda mediática, ao gerarem um considerável volume de notícias sobre um determinado tema num curto período de tempo.

 

 

Hoje, Dia Internacional das Pessoas Idosas, saltou para a agenda dos media um estudo que indica que sete em cada dez idosos portugueses tem uma má alimentação, em termos de quantidade e de qualidade.Números que impressionam, mas que, infelizmente, não nos deviam surpreender. Se tivermos em conta o valor médio das pensões de reforma pagas em Portugal e o custo crescente dos bens alimentares facilmente se percebe por que é que muitos dos nossos idosos têm o peso abaixo do desejado, que por sua vez contribui para o agravamento de um estado de saúde já de si debilitante. Acreditem que muitas vezes não é fácil para eles decidirem se devem utilizar o magro pecúnio na conta da mercearia ou na farmácia.

 

 

No caso dos idosos residentes em lares ou em casas de acolhimento a situação é diferente. Apesar de muitas vezes os familiares desembolsarem todos os meses quantias exorbitantes nem sempre os serviços prestados aos idosos correspondem ao acordado. Há proprietários de lares para a terceira idade que não têm qualquer escrúpulo em manter os idosos numa completa escravidão, deixando-os, inclusive, passar fome. E estes, receosos de represálias, muitas vezes escondem os maus-tratos a que são sujeitos, desculpando-se, muitas vezes, com uma alegada falta de apetite para justificar qualquer perda de peso.

 

 

Há ainda uma terceira causa, não menos importante. Hábitos alimentares errados que perduram no tempo, principalmente nos idosos do interior do país. Por muito que médicos e familiares insistam no consumo de determinados bens alimentares em detrimento de outros, dificilmente estes idoso conseguem alterar tais hábitos. Como o de fazer cinco refeições diárias ou o que ingerir mais quantidade de um produto do que de outro. Os célebres pratos de "arroz com arroz" ou de "massa com massa" não são assim tão raros em muitos lares portugueses e nas raras vezes em que há conduto a acompanhar, predomina a carne, sobretudo de porco, com toda a gordura e sal a que tem direito. É necessário todo um esforço junto desta camada da população no sentido de lhes incutir hábitos alimentares mais saudáveis e que, simultaneamente, não prejudiquem a magra carteira.


Jamé...:

Publicado por Fátima Mariano às 20:25
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