... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Segurança à Simplex!

Num ano marcado por três actos eleitorais, numa altura em que nos aproximamos do verão, aquela época do ano em que alguns especialistas advinham que irá ser, se não pior, pelo menos igual, à do ano passado em termos de criminalidade violenta, o director nacional da PSP veio a terreiro defender o encerramento de esquadras sob o argumento de que "não se justifica o número de esquadras existentes".

 

Oliveira Pereira não defende o regresso às super-esquadras de Dias Loureiro, mas pura e simplesmente o encerramento de instalações policiais. Reduzindo, assim, os custos fixos e com o pessoal e afastando as unidades da PSP da comunidade. Argumentando, por exemplo, que o acesso dos cidadãos à Polícia está bastante facilitado com a queixa electrónica. Significa isto que a vítima de uma qualquer crime terá que preocupar-se em encontrar um computador com ligação à internet para poder formalizar a sua queixa. E que, não se sabe onde, nem quando, nem em que condições, alguém irá analisar essa queixa e dar seguimento à mesma. Perdendo-se, assim, a oportunidade de a vítima, com a ajuda de um agente da PSP, dar importância a pormenores que do seu ponto de vista são irrelevantes, mas que se calhar são essenciais para uma boa investigação. Se actualmente muitos cidadãos não apresentam queixa devido à burocracia e à descrença na justiça, com o exclusivo da queixa electrónica o número de denúncias sofreria uma grande redução. Será esse o objectivo? O de tornar as estatísticas politicamente mais favoráveis?

 

Defender o encerramento de esquadras sob o argumento de que cada posto exige, no mínimo, 15 elementos que são agentes que estão subaproveitados, é querer mascarar a verdade. O problema não são os agentes que estão subaproveitados, mas sim a falta de recursos humanos decorrentes de más decisões políticas e dos elementos da PSP que, descontentes com as suas carreiras, passam à condição de civil. Sejamos sinceros: quantos desses "elementos subaproveitados" têm condições efectivas para se tornarem patrulheiros? Está a PSP em condições de garantir um aumento real - em termos de recursos humanos e de meios materiais - de patrulhas a circular no terreno, junto dos cidadãos, nos locais onde os crimes de facto acontecem?

 

A questão da segurança é demasiado sensível para ser pensada e falada de forma tão simplex! Merece uma reflexão aprofundada com todos os agentes com responsabilidades nesta área e decisões sustentadas não em razões economicistas, mas sim em conhecimentos consolidados que permitam uma melhor racionalização de meios com vista a uma verdadeira cultura de segurança.




Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
Agentes da Segurança Pública

O que faria se, já noite cerrada, ao aproximar-se do local onde tinha o automóvel estacionado, se deparasse com um grupo de jovens - digamos, entre 8 a 10 -  com gorros e capuzes postos, a discutirem agressivamente precisamente junto ao seu carro? Avançaria e tentaria acalmar os ânimos? Avançaria e faria de conta que não se passava nada? Esperaria que se fossem embora? Ou pediria ajuda?

 

Isto passou-se comigo esta noite. No local onde habitualmente deixo o carro estacionado, cerca de 10 jovens, parecendo pertencer a grupos diferentes, discutiam ferozmente junto ao meu carro. Veio-me à memória todos os casos de que tive conhecimento envolvendo lutas de grupos rivais e fiquei com medo. Não me armei em heroína. Preferi pedir ajuda.

 

Dirigi-me à esquadra da PSP da GIL (Gare Intermodal de Lisboa, vulgo, Gare do Oriente) e contei o que se passava ao graduado de serviço. Tanto este como os agentes que ali se encontraram perceberam o meu medo e prontificaram-se a ajudar-me. Fui om dois agentes, no carro-patrulha, até ao local, mas quando lá chegámos já não havia ninguém. Mesmo assim, os dois não saíram dali enquanto eu não coloquei o meu carro em marcha. E só depois prosseguiram viagem pelo interior do bairro, na tentativa de detectar alguma coisa.

 

A maioria das vezes, os agentes das forças de segurança - esses cidadãos anónimos, sem nome e sem rosto - são notícia pelas piores razões. Mas no seu dia-a-dia, com pequenos gestos como este, contribuem, e muito, para a segurança pública e a tranquilidade dos cidadãos. E estes pequenos grandes gestos não devem ser esquecidos.

 




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