... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Sorrir faz bem à saúde!

Estou preocupada: o sorriso está a desaparecer do rosto das pessoas! Não é que ainda não tivesse reparado, mas confirmado assim, com dados científicos, o assunto ganha outro peso. É que segundo um estudo do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, no Porto, a crise de sorrisos arrasta-se desde 2003 e está para durar. Basta estarmos um pouco atentos a quem circula à nossa volta para vermos que assim é. Nas ruas, nos transportes públicos, nos cafés e restaurantes, no nosso local de trabalho, no nosso círculo de amigos e na nossa família. Andam todos com ar preocupado e de poucos sorrisos.

 

 

É preciso urgentemente alterar este cenário e isto só depende de cada um de nós. Por isso, não se esqueça de fazer a sua parte. Sorria já hoje, agora mesmo, mesmo que esteja sozinho. Olhe-se no espelho e sorria. Vai ver que a vontade de continuar a sorrir permanece. O sorriso é contagioso e com um belo sorriso no rosto, verá que conseguirá enfrentar mais facilmente as agruras da vida. Experimente e verá como tenho razão!




Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
O ministro da Saúde caiu! Viva o ministro!

Muitos foram os que suspiraram de alívio ou mesmo bateram palmas de contentamento quando se soube, hoje à tarde, que o tão criticado ministro da Saúde tinha finalmente sido substituído. Depois de várias manifestações, de várias mortes, de vários desencontros, Correia de Campos terá posto a mão na consciência e percebido o que há muito toda a gente já tinha percebido: que a sua imagem estava de tal forma desgastada e ligada a acontecimentos negativos, que por muitas explicações que desse, seriam tudo palavras vãs. No blogue "Causa Nossa", Vital Moreira considera que esta mini-remodelação (que abrangeu também a ministra da Cultura) é "uma clara vitória da rua, do aparelho do PS e da oposição". Não penso que assim seja, tanto mais que o ministro da Economia veio já a público dizer que a política da saúde levada a cabo até hoje é para continuar. Além disso, o orgulho do primeiro-ministro jamais lhe permitiria dar este bombom aos seus opositores.  A saída de Correia de Campos não deixa de ser um reconhecimento de que algo falhou nesta área. E prova disso foi o facto de José Sócrates se ter recusado a falar aos jornalistas durante todo o dia de ontem. Ele, que sempre chama a si os dossiês mais complicados em tempo de crise, preferiu não tecer quaisquer comentários sobre esta mini-remodelação. Por que será?


Jamé...:
Música: Programa "Bola Branca", na Rádio Renascença


Sábado, 26 de Janeiro de 2008
A manifestações loucas, orelhas moucas

Quando um primeiro-ministro diz estar "muito habituado a manifestações" e que estas em nada o afectam, como José Sócrates admitiu hoje, em Évora, é porque algo vai realmente mal na política. As manifestações, mesmo aquelas que alegadamente são organizadas por estruturas sindicais, são sintoma de que algo desagrada a determinado sector da população e não deveriam, por isso, ser menosprezadas. Neste caso concreto, aos sindicalistas juntaram-se utentes do Centro de Saúde de Vendas Novas, que reclamavam o seu funcionamento 24 horas por dia. Numa altura em que a política da saúde está a ser fortemente contestada, em que diariamente são tornados públicos casos de mortes alegadamente provocadas por deficiente socorro ou assistência médica, ouvir da boca de um primeiro-ministro que as manifestações em nada o afectam é o mesmo que dizer aos portugueses que não têm direito a ter voz, a criticar o que acham que deve ser criticado e a exigir que o Governo, eleito por este mesmo povo, cumpra o que prometeu. José Sócrates comporta-se cada vez mais como um ditador e não como um chefe de um Governo democrata, como tanto gosta de apregoar. Já é mais do que tempo de descer do seu pedestal e de visitar o país real, de ouvir as dores do povo e conhecer as suas reais condições de vida. A não ser que se prepare para fazer como o outro que, quando tomou consciência de que o barco estava mesmo à deriva, foi o primeiro a abandoná-lo e refugiou-se na Europa. Nessa Europa à qual dizemos pertencer, mas da qual todos os dias estamos um pouco mais afastados. 


Música: Relato do Guimarães vs Benfica, na TVI


Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Caos na emergência médica!

Já não bastavam as mortes atibuídas ao encerramento das urgências hospitalares e dos Serviços de Atendimento Permanente. Nem as mortes inexplicáveis de dois idosos no Hospital de Aveiro. A publicitação das conversas que um elemento do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes)  teve com dois bombeiros das corporações de Favaios e de Alijó, a propósito da necessidade de socorro a um homem de Castedo do Douro, pôs a nu as muitas fragilidades que o sistema de emergência português ainda tem e aumentou ainda mais os receios da população, sobretudo mais carenciada e desprotegida, que não tem meios para se recorrer aos sistemas privados de saúde. E pede Correia de Campos que os portugueses ajudem a melhorar as relações entre o INEM e os bombeiros. Que tal os membros do Governo começarem por dar o exemplo?

Oiçam e reflictam bem no problema:

 

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Música: Relato do Sporting de Braga vs Belenenses na SportTV1


Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
Saúde para turista ver

Depois dos médicos, são agora os enfermeiros do Hospital Distrital de Faro que lançam um grito de alerta para o que se está a passar nas urgências daquela unidade de saúde. Há muito que as instalações deixaram de ter capacidade de resposta à procura, que, ao contrário do que o ministro Correia de Campos veio afirmar, não aumenta apenas nos meses de verão. Prova disso é o que se está a passar actualmente, com centenas de doentes acamados nos corredores, sem qualquer tipo de privacidade mesmo na hora de fazer a sua higiene diária e sujeitos aos mais diversos tipos de infecções. A situação descrita pelos técnicos de saúde e as imagens televisionadas são de tal forma chocantes que não deixam de causar alarme social a todos quantos dependem daquele hospital. E a única reacção do ministro da Saúde é dizer que o novo hospital, que ainda nem sequer está em construção, irá resolver todos os problemas agora sentidos. Mais uma vez, Correia de Campos deu um tiro no pé. Serão precisas mais provas para demonstrar que está mais do que na hora de remodelar o ministro da Saúde?


Jamé...:
Música: "Prós e Contras" na RTP 1


Domingo, 20 de Janeiro de 2008
As urgências do sr. ministro!

No seu habitual comentário de domingo, na RTP 1, Marcelo Rebelo de Sousa colocou o dedo na ferida: não é a competência técnica do ministro da Saúde que está em causa, mas sim a sua (in)competência política. E é esta que dita a sua remodelação urgente. A imagem de Correia de Campos está de tal forma desgastada que qualquer esclarecimento público que faça soará a falso ou será visto como um atirar de areia para os olhos do povo. As declarações que hoje fez na RTP-N sobre a morte de um bebé em Carregal do Sal, esta semana, só contribuiram mais para acentuar a sua falta de habilidade política. O ministro admitiu que houve uma falha no socorro ao bebé (que foi transportado numa ambulância apenas com a mãe e o motorista, quando a lei obriga a que existam dois tripulantes), mas que, se esta não existisse, o desfecho seria o mesmo. Com declarações deste género não se percebe por que é que José Sócrates veio hoje a público insurgir-se contra aquilo que diz ser um aproveitamento político por parte de alguns jornais e partidos da oposição no caso da morte do bebé de Anadia. Não será tempo de o primeiro-ministro deixar de ser teimoso e remodelar quem deve ser remodelado?


Jamé...:


Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
Quem não deve... não teme

Desde que iníciou o processo de encerramento de urgências hospitalares e Serviços de Atendimento Permanente (SAP), o ministro da Saúde tem estado debaixo de fogo cerrado. População, autarcas, partidos da oposição e técnicos de saúde têm-se manifestado veementemente contra esta política. Mas com uma calma por vezes a roçar o cínico, Correia de Campos tem sempre defendido o seu projecto de reestruturação da rede de urgências, chegando mesmo a alvitrar que, daqui a pouco tempo, os portugueses até lhe vão agradecer por ter tomado estas decisões. O problema é que os sucessivos casos de mortes ocorridas em áreas onde recentemente encerraram serviços de urgência em nada abona em favor desta política arrogante. E hoje mesmo, um bebé de cerca de três meses morreu ao colo da mãe, dentro de uma ambulância, ao seu transportado ao Hospital de Viseu, uma vez que as urgências do da Anadia foram encerradas. Como defende o presidente da Administração Regional de Saúde - Centro, pode nem haver um nexo de causalidade entre um e outro facto, mas a verdade é que a suspeição fica sempre no ar. E cria insegurança na população. Mais. Se Correia de Campos tem tanta certeza de que este é o caminho certo, não se percebe por que razão, hoje mesmo, evitou uma manifestação de utentes dos hospitais de Anadia e da Universidade de Coimbra, quando se deslocou ao Hospital dos Covões para inaugurar a nova Unidade de Cardiologia de Intervenção. Em vez de entrar pela porta principal, entrou pela porta do cavalo. Costuma dizer-se que quem não deve, não teme!, mas o ministro da Saúde deve ter-se esquecido deste adágio popular. Ou será que deve alguma coisa?


Jamé...: Revoltada!
Música: O ladrar insistente da Pantufa


Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008
O papão da ASAE!

O director-geral da Saúde pediu à ASAE que fiscalize urgentemente os estabelecimentos de restauração e bebidas que exibam o dístico azul, informando os clientes de que podem fumar naqueles locais. A ARESP, entidade que representa esses estabelecimentos, insurgiu-se contra essa declaração de Francisco George, argumentando que está montada uma campanha persecutória aos empresários que permitem o fumo nos seus estabelecimentos.

Não me parece que a ASAE necessite que alguém lhe lembre quais são as suas obrigações. Já deu mais do que provas que existe para ter mão firme para com os prevaricadores. Além de que, como fumador, o director-geral da ASAE deve estar suficientemente bem informado de quais os locais onde é permitido o fumo e em que condições é que estes (não) funcionam.

Já agora, uma vez que na vida há que ter também algum sentido de humor, aqui ficam exemplos de situações em que os inspectores da ASAE deveriam actuar:

ASAE FECHA IGREJA

 " O padre dava óstias que não se encontravam de acordo comas normas da

 ASAE . Além disso fazia-o com as mãos , introduzindo-as directamente

 no orificio oral das vítimas , não usando vestuário de protecção -

 declarou o porta-voz da mesma..."

 

 

ASAE FECHA TAMPA DE SANITA

 " ...tinha acabado de mijar . - confessou o agente em questão , no

 passado dia 8 de Outubro à Revista Cor-de-Rosa.

 

 ASAE FECHA PERNAS DE PROSTITUTA

 " O local de trabalho não estava de acordo com as normas de higiene da

 ASAE , havendo inclusivé animais não vacinados no local  - cita uma

 agência notíciosa.

 

 ASAE FECHA ESTABELECIMENTO FECHADO

 " A ASAE encetou hoje uma grande operação , pelas 04h da manhã , na

 Região de Lisboa , tendo para isso usado um contingente de 50 homens ,

 armamento vário, 8 chaimites, 12 cães e um gato que ia por ali a

 passar . Ao chegar ao local, os agentes depararam-se com um

 estabelecimento fechado . Vários agentes encaminharam-se então pra ir

 chamar o dono do estabelecimento que, ainda em ceroulas, veio abrir o

 estabelecimento . Abriu a porta e , acto continuo, os agentes fecharam

 aquele estabelecimento , uma vez que estava aberto a umas horas que

 estavam fora do periodo licenciado . - in Correio da Manhã

 

 ASAE FECHA UM ENVELOPE

 " Um agente usou a língua para humedecer o sobrescrito e fechou-o

 muito bem fechadinho . O Chefe da ASAE recomendou este agente para uma

 condecoração , dado o esmero utilizado no cumprimento do dever -

 noticiou a Lusa.

 

 ASAE FECHA BRAGUILHA

 " Agente que andava de braguilha aberta desde ontem , fechou-a hoje .

 Interpelado pra comentar o caso , o agente diz "...que se esqueceu." -

 noticiou a Revista Cor-de-Rosa.

 

 ASAE FECHA ASAE

 " Um dos funcionários da ASAE encontrava-se no local sem ter fechado

 nada ainda , sendo que isto vai contra o regulamento interno da ASAE ,

 no que toca ao art.23 ,parágrafo 2 , alinea b ) " A fechar é que

 agente está bem . Se não estamos a fechar nada, mais vale fechar isto

 ." - anunciou hoje de manhã o responsável , citando uma fonte ligada

 ao caso.


Jamé...:


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