... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Difícil de entender!

Depois de, há cerca de 15 dias, a PSP ter destruído cerca de 16 mil  armas brancas e de fogo provenientes de acções criminosas, apreensões, processos judiciais ou entregas voluntárias, eis que hoje, a mesma entidade realiza um leilão durante o qual vão ser licitadas 217 armas de fogo. Esta medida está prevista nº artigo 79º da Lei nº 5/2006, de 23 de Fevereiro, ao contrário da primeira, que não tem qualquer sustentação legal. Contudo, não deixa de causar estranheza que pouco tempo depois de uma clara acção de combate à proliferação ilegal de armamento, a mesma entidade promova uma outra acção que contribui para a reintrodução no mercado de armas de fogo. Mais estranheza causa ainda se tivermos em conta que o número de crimes cometidos em Portugal com recurso a este tipo de armamento tem vindo a aumentar. Uma explicação é devida!




Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Segurança à Simplex!

Num ano marcado por três actos eleitorais, numa altura em que nos aproximamos do verão, aquela época do ano em que alguns especialistas advinham que irá ser, se não pior, pelo menos igual, à do ano passado em termos de criminalidade violenta, o director nacional da PSP veio a terreiro defender o encerramento de esquadras sob o argumento de que "não se justifica o número de esquadras existentes".

 

Oliveira Pereira não defende o regresso às super-esquadras de Dias Loureiro, mas pura e simplesmente o encerramento de instalações policiais. Reduzindo, assim, os custos fixos e com o pessoal e afastando as unidades da PSP da comunidade. Argumentando, por exemplo, que o acesso dos cidadãos à Polícia está bastante facilitado com a queixa electrónica. Significa isto que a vítima de uma qualquer crime terá que preocupar-se em encontrar um computador com ligação à internet para poder formalizar a sua queixa. E que, não se sabe onde, nem quando, nem em que condições, alguém irá analisar essa queixa e dar seguimento à mesma. Perdendo-se, assim, a oportunidade de a vítima, com a ajuda de um agente da PSP, dar importância a pormenores que do seu ponto de vista são irrelevantes, mas que se calhar são essenciais para uma boa investigação. Se actualmente muitos cidadãos não apresentam queixa devido à burocracia e à descrença na justiça, com o exclusivo da queixa electrónica o número de denúncias sofreria uma grande redução. Será esse o objectivo? O de tornar as estatísticas politicamente mais favoráveis?

 

Defender o encerramento de esquadras sob o argumento de que cada posto exige, no mínimo, 15 elementos que são agentes que estão subaproveitados, é querer mascarar a verdade. O problema não são os agentes que estão subaproveitados, mas sim a falta de recursos humanos decorrentes de más decisões políticas e dos elementos da PSP que, descontentes com as suas carreiras, passam à condição de civil. Sejamos sinceros: quantos desses "elementos subaproveitados" têm condições efectivas para se tornarem patrulheiros? Está a PSP em condições de garantir um aumento real - em termos de recursos humanos e de meios materiais - de patrulhas a circular no terreno, junto dos cidadãos, nos locais onde os crimes de facto acontecem?

 

A questão da segurança é demasiado sensível para ser pensada e falada de forma tão simplex! Merece uma reflexão aprofundada com todos os agentes com responsabilidades nesta área e decisões sustentadas não em razões economicistas, mas sim em conhecimentos consolidados que permitam uma melhor racionalização de meios com vista a uma verdadeira cultura de segurança.




Quarta-feira, 18 de Março de 2009
Drinking spiking - cuidado com o que bebe

Este video foi-me hoje enviado por um amigo e recordou-me uma reportagem que escrevi há quatro anos, sobre um fenómeno que cada vez mais preocupa as autoridades policiais em todo o mundo, incluindo as portuguesas. Veja o video com atenção:

 

 

 

O "drinking spiking" (ou adulteração de bebidas) consiste na adição de uma substância psicotrópica na bebida de alguém sem o conhecimento desta. Normalmente, este tipo de crime ocorre em bares, discotecas e mesmo em festas privadas, por isso, há que ter muita atenção com as bebidas que se consomem nesses locais. Por se tratarem de substâncias inodores, incolores e insípido, a vítima não detecta a sua presença.

 

Na altura em que realizei a reportagem, o comandante da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa, Dário Prates, explicava que normalmente este crime, o drinking spiking, tinha como objectivo a prática de outro crime: o roubo e/ou a violação. E deixava alguns conselhos:

- nunca aceitar bebidas de desconhecidos;

 

- mesmo que peça a bebida directamente ao empregado do bar, esteja sempre atento aos seus movimentos e prefira que lhe tragam a bebida numa garrafa com tampa selada do que em copo;

 

- em caso algum, mesmo quando vai para a pista de dança, perca a sua bebida de vista;

 

- se sentir algum efeito estranho após a ingestão de uma bebida, alerte de imediato alguém da sua confiança ou um empregado do bar bem como as autoridades policiais;

 

- a vítima deve ser observada por um médico o mais rápido possível, visto que o exame toxicológico deve ser feito, no máximo, até 72 horas após a ingestão da bebida adulterada;

 

- a preservação de provas (roupa, o copo por onde bebeu, etc.) é também primordial.

 

 




Segunda-feira, 9 de Março de 2009
António Costa e a (in)segurança dos cidadãos

Não sei se entendi bem, confesso! Na sequência do tiroteio que ocorreu na noite de ontem no Bairro Portugal Novo, nas Olaias, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, disse hoje que "por não se tratar de um bairro municipal, mas sim de iniciativa de uma cooperativa" é uma propriedade "estranha ao município". E, por isso, a autarquia nada tem a ver com o assunto.

 

Mesmo já tendo sido alertada pela PSP e pela própria Junta de Freguesia dos problemas de insegurança e de degradação urbanística e social sentidos naquela zona, a Câmara descarta-se de qualquer responsabilidade só porque o bairro não é municipal. Aquele, diz António Costa, é um caso de Polícia, dos polícias da esquadra que ali funciona mesmo ao lado.

 

 

Quem ali mora não tem os mesmos direitos, nem a mesma atenção por parte da Câmara de Lisboa por não viver num bairro municipal. Se o pensamento é este, então grande parte do território do concelho não é da responsabilidade da Câmara. Então, não se entende por que razão os agentes da Polícia Municipal patrulham a zona da Baixa/Chiado, uma vez que ali não existem casas municipais. Não se entende por que é que estes mesmos agentes patrulham a zona das Avenidas Novas. Aqui, também não há casas municipais, bem pelo contrário. 

 

Não sei se entendi bem, confesso! 




Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
Agentes da Segurança Pública

O que faria se, já noite cerrada, ao aproximar-se do local onde tinha o automóvel estacionado, se deparasse com um grupo de jovens - digamos, entre 8 a 10 -  com gorros e capuzes postos, a discutirem agressivamente precisamente junto ao seu carro? Avançaria e tentaria acalmar os ânimos? Avançaria e faria de conta que não se passava nada? Esperaria que se fossem embora? Ou pediria ajuda?

 

Isto passou-se comigo esta noite. No local onde habitualmente deixo o carro estacionado, cerca de 10 jovens, parecendo pertencer a grupos diferentes, discutiam ferozmente junto ao meu carro. Veio-me à memória todos os casos de que tive conhecimento envolvendo lutas de grupos rivais e fiquei com medo. Não me armei em heroína. Preferi pedir ajuda.

 

Dirigi-me à esquadra da PSP da GIL (Gare Intermodal de Lisboa, vulgo, Gare do Oriente) e contei o que se passava ao graduado de serviço. Tanto este como os agentes que ali se encontraram perceberam o meu medo e prontificaram-se a ajudar-me. Fui om dois agentes, no carro-patrulha, até ao local, mas quando lá chegámos já não havia ninguém. Mesmo assim, os dois não saíram dali enquanto eu não coloquei o meu carro em marcha. E só depois prosseguiram viagem pelo interior do bairro, na tentativa de detectar alguma coisa.

 

A maioria das vezes, os agentes das forças de segurança - esses cidadãos anónimos, sem nome e sem rosto - são notícia pelas piores razões. Mas no seu dia-a-dia, com pequenos gestos como este, contribuem, e muito, para a segurança pública e a tranquilidade dos cidadãos. E estes pequenos grandes gestos não devem ser esquecidos.

 




Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Novo método de assalto

Este é um novo método de assalto já registado pela PSP na região da grande Lisboa. É utilizado por jovens naturais do leste europeu que fingem ser surdos-mudos e se fazem passar por voluntários de uma associação de deficientes auditivos. Actuam aos pares e têm idades entre os 15 e os 20 anos. Munidos de uma pasta preta, apelam à caridade dos transeuntes quando estes se preparam para levantar dinheiro num caixa multibanco. Após a marcação do código pessoal, e uma vez desviada a atenção, um dos jovens prime a tecla que assinala o valor mais alto e saca do dinheiro, antes de a vítima se aperceber do que se está a a passar. Eu já fui alvo de uma tentativa deste género (no meu caso, não fingiam ser surdos-mudos), mas felizmente consegui perceber a tempo o que se preparavam para fazer.

 

 

É natural que a primeira reacção da vítima seja de revolta, mas, a sangue-frio, é importante reflectirmos que esses jovens são também eles vítimas. Dedicam-se a este tipo de prática porque não têm outra forma de sobrevivência ou simplesmente porque são obrigados por familiares ou grupos organizados. Numa altura em que se falta tanto em vítimas e deliquência juvenil, há que ter em conta estes dois pesos na balança. Antes de se condenarem estes jovens a penas de prisão que não terão qualquer efeito prático na suas vidas, há que ajudá-los a encontrar um outro caminho, há que ensinar-lhes que há outras saídas.




Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008
Super Glock

São consideradas das pistolas mais seguras do mundo, mas, mesmo assim, o Ministério da Administração Interna exigiu ao fabricante a introdução de um botão de segurança. Resultado: por causa desse simples botão, as Glock 19 - que já começaram a ser distribuídas na PSP e na GNR - apresentam graves falhas de... segurança. Confuso?!

 

A patilha de segurança retira apoio ao carregador, que acaba por cair. Como este botão é semelhante àquele que liberta o carregador, em situações de emergência, o utilizador pode accioná-lo sem querer. E o seu tamanho reduzido dificulta a sua utilização com luvas. As falhas continuam. O invólucro da munição, em muitos casos, é ejectado em direcção à cara do agente e não para o lado. A acrescentar a tudo isto, há ainda a falta de coldres, que impede dos elementos da segurança de transportar a nova arma.

 

A PSP já admitiu as falhas e procedeu à recolha de algumas pistolas. Na GNR, as armas distribuídas ainda não estão a ser utilizadas, por falta de coldres. Mais uma vez, um plano que poderia, de facto, contribuir para a melhoria das condições de trabalho das nossas polícias saiu gorado. Falta saber com que custos. 




Sábado, 15 de Novembro de 2008
Para que serve um polícia de trânsito?

A manifestação dos professores já tinha chegado ao Largo do Rato há um bom tempo, mas quem circulava na rotunda do Marquês de Pombal e quisesse seguir para a Rua Braamcamp continuava impedido de o fazer pelos agentes da PSP que ali permaneciam à espera de novas ordens. "Impedido" é uma força de expressão, não fossem os portugueses conhecidos além-fronteiras pelo seu chico-espertismo e por serem especialistas na arte do desenrascanço. E foi recorrendo a esses seus dotes que o condutor de uma carrinha entrou em contramão na Braamcamp sob o olhar impávido e sereno dos agentes, que nem se mexeram. E o condutor lá seguiu à sua vida, feliz e contente, por nem sequer ter sido admoestado por esta infracção ao Código da Estrada.

 

 

Obviamente que quem, como eu, assistiu a tudo, nem queria acreditar no que tinha acabado de acontecer. Talvez por isso, por sentir os olhares reprovadores dos transeuntes e por sentir que a sua autoridade estava a ser duplamente posta em causa, um dos agentes dirigiu-se a um segundo automobilista que tentava a mesma proeza, um homem já com os seus 70 anos, com as seguintes palavras: "Então o que é isto? Vá, vamos lá para trás". Claro que o idoso reclamou, invocou o caso do primeiro automobilista, a quem nenhum dos agentes ali presentes tentou sequer parar, mas de nada lhe valeu. Desta vez, o agente foi intransigente e decidiu cumprir o seu dever.




Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
Para quando PSP na Póvoa de Santa Iria?

A mais recente reforma administrativa das forças de segurança traduziu-se, em algumas freguesias, na substituição da GNR pela PSP ou vice-versa. Noutras situações, como é o caso da Póvoa de Santa Iria (concelho de Vila Franca de Xira), além dessas substituição (da GNR pela PSP) assistiu-se ao encerramento das instalações (bastante degradadas, diga-se em abono da verdade) onde estava sedeada essa força policial. O que motivou compreensíveis receios por parte da população. A PSP, à qual agora está afecta a freguesia, encontra-se instalada em Alverca.

 

 

Para calar a voz do povo, ou quiçá, já numa acção de pré-campanha eleitoral, o Ministério da Administração Interna e a PSP assinaram, na altura, um protocolo com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, com vista à construção de uma esquadra na Póvoa de Santa Iria, "passando a PSP a ter um local ajustado à sua actividade, dotado de condições de funcionalidade e operacionalidade". No mesmo documento ficou acordado que o concurso para a obra seria lançado em Janeiro de 2008, que a construção arrancaria no primeiro semestre deste ano e que a esquadra estaria em funcionamento em 2009.

 

 

Estamos a cerca de um mês e meio do final do ano e o projecto ainda não está concluído e muito menos o concurso público lançado. Ou não estivessemos nós a falar de uma obra do Estado. Na vizinha freguesia de Santa Iria de Azóia, já no concelho de Loures, durante anos e anos e anos, estiveram inscritas no orçamento de Estado verbas para a construção de um posto da GNR. A autraquia chegou a ceder um terreno para a construção do mesmo e este nunca foi feito. A freguesia continua dependente da PSP de São João da Talha.

 

 

Crescemos a pensar que o Estado é uma pessoa de bem. Mas a multiplicação de casos como estes só nos mostram que a demagogia política está viva e bem viva e que nem sempre o Estado cumpre o que promete. Ele, que devia dar o exemplo, é muitas vezes o primeiro a frustar as expectativas que o próprio gerou nos cidadãos.

 

 

 




Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
PSP de Vila Franca de Xira

Desde que foi criada, no final do ano passado, a Divisão da PSP de Vila Franca de Xira tem desenvolvido uma importante política de informação junto dos munícipes da sua área de jurisdição. Em meio ano, editou e distribuíu duas brochuras com informação sobre o trabalhos que os seus elementos desenvolvem diariamente, bem como os respectivos contactos da sede da divisão, das esquadras que a integram, bem como o número de telemóvel dos agentes afectos ao programa Equipas de Proximidade e Apoio à Vítima (EPAV).

 

 


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