... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
E agora, sr. Presidente?

Depois de ter dirigido críticas tão contundentes a figuras proeminentes do PS e ao próprio Governo socialista sobre a criação de climas de suspeição e manipulação de factos/notícias, tem o Presidente da República condições para dar posse a um novo Governo socialista? Que tipo de convivência poderá existir entre duas instituições que se atacam e criticam mutuamente? Que confiança podem ter os portugueses nestas instituições?




Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Cavaco falou, mas não disse nada

Como milhares de portugueses, às oito em ponto lá estava eu diante do televisor expectante quanto à declaração do Presidente da República sobre o caso das alegadas escutas de Belém. O facto de ser uma comunicação ao país e não uma conferência de imprensa, o que impedida a colocação de perguntas por parte dos jornalistas, não augurava nada de bom. Cavaco queria honrar a palavra, de que falaria após as eleições, mas não queria que lhe colocassem perguntas incómodas, às quais não queria (ou saberia) responder.

 

Cavaco acabou por falar, mas não disse nada. Tal como milhares de portugueses, não percebi se desconfia ou não de que está (ou esteve) sob vigilância, não entendi por que razão mandou inspeccionar e reforçar a segurança do seu e-mail, por que não demitiu Fernando Lima e outras questões importantes. Cavaco saiu muito mal na fotografia. Se, de facto, suspeitava que estava a ser vigiado, deveria ter agido na altura, utilizando os meios que tem à sua disposição. Se não suspeitava e o seu assessor se excedeu, deveria demiti-lo e não apenas afastá-lo da assessoria de imprensa. Será que algum dia os portugueses saberão o que realmente se passou? 




Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
E agora, José?

Sem surpresa, o PS venceu estas eleições legislativas. Digo "sem surpresa" porque, como referiu João Miguel Tavares no «Governo Sombra - extraordinário» (TSF) de ontem à noite, entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, sem dúvida que o líder socialista dá um melhor primeiro-ministro. Mas esta é apenas uma meia-vitória, pois não tendo o PS maioria no Parlamento, terá que aprender a negociar, à Esquerda ou à Direita, para que consiga a aprovação dos seus projectos. Caso contrário, como já vaticinou o socialista João Cravinho, este novo governo não durará mais de dois anos.

 

 

José Sócrates apelidou de «extraordinária» a vitória do PS nestas eleições legislativas. O que tem de extraordinário perder meio milhão de votantes? O que tem de extraordinário perder 25 deputados? O que tem de extraordinário conseguir mais votos do que o PSD, cuja líder, sem chama, chegou a admitir publicamente que não se candidatou à liderança do partido para ocupar o lugar de primeira-ministra?

 

 

O secretário-geral do PS disse ontem que ainda era cedo para falar na constituição do novo executivo. Mas há uma questão que o povo português merece que seja rapidamente esclarecida: que José Sócrates vai liderar o novo Governo? O José Sócrates que governou nos últimos quatro anos, egocêntrico, autoritário, que lida mal com a liberdade de expressão e que preza demasiado a sua vida privada, ou o José Sócrates da campanha eleitoral, humilde, companheiro, que reconheceu os erros e as falhas de governação, que até invocou os filhos e a namorada para conseguir a simpatia do povo? Fica a pergunta!

 

 




Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Sócrates e o casamento homossexual

José Sócrates está aflito. Diria mesmo, aflitíssimo. Está a ver que o tapete lhe escorrega cada vez mais debaixo dos pés e que a tão pedida maioria absoluta está cada vez mais longe. Só assim se justifica que, de repente, tenha eleito como tema estruturante de debate nacional o casamento civil entre homossexuais. Logo ele que ainda há meia dúzia de meses rejeitava discutir este assunto no Parlamento, argumentando que o tema que não estava na agenda nem do Governo, nem do PS. O que mudou para que Sócrates alterasse radicalmente a sua posição? O descontentamento do povo para com a sua governação, à qual acresce a vontade férrea de se manter no poder a todo o custo. Mesmo que para isso tenha que se vergar a temas que lhe são particularmente caros. 




Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Síndrome do Pinóquio

A expressão não é minha, mas de um dos intervenientes do Fórum da TSF, que hoje debateu as propostas ontem apresentadas pelo primeiro-ministro relativamente à reforma do sistema fiscal. Mas subscrevo-a inteiramente! José Sócrates sofre da Síndrome do Pinóquio. Mente descarada e sistematicamente e está convencido de que os portugueses não se apercebem, que têm memória curta e, por isso, não se coíbe de lhes pedir uma nova maioria absoluta.

 

Sempre partilhei dos valores da Esquerda. Sempre voltei à Esquerda. Nas últimas eleições legislativas votei no PS. Ou melhor, em José Sócrates. No projecto que apresentou. Na forma convincente como prometia reformar o país de modo a colocá-lo na linha da frente. Mas há muito que me arrependi. Sinto-me traída. E por isso, sinto o dever patriótico de nas próximas legislativas não votar no PS. E como eu, milhares de portugueses. Porque se José Sócrates conquistar nova maioria, seja ela relativa ou absoluta, tenho que concordar com o Alberto João Jardim: os portugueses devem estar loucos.

 

Quando, ontem, José Sócrates afirmou que "o emprego deve ser a prioridade das prioridades sociais em Portugal", estava, de facto, a assumir que nestes últimos quatro anos a questão do emprego não foi uma prioridade para o seu Governo. E não há como desmenti-lo! Diariamente, centenas de portugueses conhecem a realidade do desemprego sem verem garantidos minimamente os seus direitos. Em presas que reberam apoio financeiro do Estado para se instalarem em Portugal, estão a deslocalizar as suas instalações sem honrar os compromissos assumidos, sem que o Estado faça o que quer que seja.

 

Quando, ontem, José Sócrates anunciou que "é injusto os titulares de altos rendimentos gozarem hoje de maiores deduções do que a classe média", estava, de facto, a admitir que o seu Governo nada fez, nos últimos quatro anos, para alterar esta situação.

 

E os exemplos não têm fim.

 

É mais do que tempo de os portugueses tomarem as rédeas do país e dizerem NÃO a este partido e a este primeiro-ministro!




Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
Muralha de aço

Um dos principais atractivos de Lisboa é o Tejo e a relação que a cidade estabelece com este. Depois de décadas de costas voltadas para o rio, aos poucos a cidade foi-se aproximando do Tejo e hoje existem várias áreas na zona ribeirinha onde podemos usufruir de agradáveis momentos de lazer. Eu, por exemplo, quando preciso de momentos de reflexão costumo estacionar o carro na zona das Docas. Dá-me paz olhar para o balançar das águas, ver os navios a navegar, as gaivotas a grasnar...

 

 

Como tenho esta visão idílica do Tejo, custa-me entender que o queiram esconder, principalmente quando se recorre a argumentos económicos. Como acontece com o projecto hoje apresentado pela Administração do Porto de Lisboa na Câmara de Lisboa e que prevê a triplicação da capacidade de armazenamento de contentores. Melhor dizendo, a construção de uma verdadeira muralha de aço que afastará o rio das pessoas. Um projecto apresentado como um facto consumado, tendo em conta que o Governo aprovou já, sem recurso a concurso público, o prolongamento da concessão à Liscont, do Grupo Mota Engil, onde é administrador um antigo ministro do PS, Jorge Coelho.

 

As obras de ampliação durarão (previsivelmente) seis anos, período durante o qual será interdito o acesso ao rio pela zona das Docas, o que colocará em risco o emprego de quem trabalha nos bares/discotecas/restaurantes da zona. Tendo em conta que um relatório do Tribunal de Contas, datado de Setembro de 2007, refere que a Administração do Porto de Lisboa "apresenta desafogadas capacidades instaladas e disponíveis, para fazer face a eventuais crescimentos do movimento de contentores", menos ainda se entende a razão de ser deste projecto. A não ser devido a interesses económicos.




Sábado, 15 de Março de 2008
Celebrar o quê?

O Governo e os militantes do PS juntaram-se hoje no Pavilhão Académico, no Porto, para celebrar os três anos de mandato do executivo. Um encontro onde não se falou dos (vários) erros cometidos, porque não vale a pena perder tempo com estes, como sublinhou, durante a semana Vitalino Canas, mas sim das medidas consideradas "positivas, sérias e corajosas" e do futuro de Portugal. Foi a festa da celebração rosa, onde só tiveram lugar aqueles que têm o cartão de cliente. Os outros, os milhares de portugueses que se sentem enganados por este Governo, que sofrem diariamente na pele as consequências das tais medidas "positivas, sérias e corajosas" não tiveram direito a participar na festa. Será que o Governo só governa para o PS?!

 

 

Mas o que há para celebrar?

- o aumento da taxa de desemprego?

- o aumento da taxa de inflacção?

- o aumento dos juros do crédito à habitação?

- a redução real dos salários?

- a fuga de muitas empresas para a Europa de Leste?

- a fuga de grandes crânios nacionais para o estrangeiro?

- o fecho de maternidades, centros de saúde e hospitais?

- a tentativa de controlo e de censura aos meios de comunicação social?

- a perseguição a sindicalistas e manifestantes?

- etc.,

- etc.,

- etc.,?

 

Meus senhores:

Antes de decidirem celebrar o que quer que seja, olhem para o país real, vistam a pele do português, sintam as suas dificuldades diárias, as duas dores, os seus medos, as suas incertezas, e depois digam-nos se ainda têm vontade de celebrar seja o que for.


Jamé...:
Música: Relato Leixões vs F.C. Porto, na TVI


Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
O ministro da Saúde caiu! Viva o ministro!

Muitos foram os que suspiraram de alívio ou mesmo bateram palmas de contentamento quando se soube, hoje à tarde, que o tão criticado ministro da Saúde tinha finalmente sido substituído. Depois de várias manifestações, de várias mortes, de vários desencontros, Correia de Campos terá posto a mão na consciência e percebido o que há muito toda a gente já tinha percebido: que a sua imagem estava de tal forma desgastada e ligada a acontecimentos negativos, que por muitas explicações que desse, seriam tudo palavras vãs. No blogue "Causa Nossa", Vital Moreira considera que esta mini-remodelação (que abrangeu também a ministra da Cultura) é "uma clara vitória da rua, do aparelho do PS e da oposição". Não penso que assim seja, tanto mais que o ministro da Economia veio já a público dizer que a política da saúde levada a cabo até hoje é para continuar. Além disso, o orgulho do primeiro-ministro jamais lhe permitiria dar este bombom aos seus opositores.  A saída de Correia de Campos não deixa de ser um reconhecimento de que algo falhou nesta área. E prova disso foi o facto de José Sócrates se ter recusado a falar aos jornalistas durante todo o dia de ontem. Ele, que sempre chama a si os dossiês mais complicados em tempo de crise, preferiu não tecer quaisquer comentários sobre esta mini-remodelação. Por que será?


Jamé...:
Música: Programa "Bola Branca", na Rádio Renascença


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