... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Quem é o verdadeiro Sócrates?

 Foi um primeiro-ministro totalmente transformado aquele que hoje se mostrou em entrevista a Ana Lourenço, no "Dia D - Especial", na SIC e SIC Notícias. Depois da pesada derrota eleitoral nas europeias do dia 7, a José Sócrates pouco mais resta do que fazer mea culpa e mostrar um pouco de humildade se ainda alimenta esperanças de conseguir uma vitória nas próximas legistalivas. Mesmo que esta alteração de postura e de discurso resultem apenas de estratégias de marketing político há muito conhecidas. Sócrates revelou-se um verdadeiro actor, com uma capacidade de transfiguração impressionante, tão impressionante que é capaz de confundir o eleitoral. Afinal, qual é o verdadeiro primeiro-ministro de Portugal? Aquele de durante quatro anos defendeu acerrimamente as políticas do seu Governo, que nunca admitiu qualquer erro de governação, que se insurgiu contra tudo e contra todos, com discursos bastante inflamados? Ou este que agora, à beira do abismo, admite que tomou decisões erradas, que fala com a voz por vezes embargada, que já pouco gesticula, que aceita muitas das críticas que lhe foram feitas ao longo dos últimos quatro anos? Qual destes é o verdadeiro Sócrates? 




Terça-feira, 21 de Abril de 2009
"Dá-me licença, pá?"

Foi assim que o primeiro-ministro se dirigiu, a determinada altura, a José Alberto Carvalho, durante a entrevista que este conduziu, esta noite, juntamente com Judite de Sousa, no canal 1 da RTP. "Dá-me licença, pá?", disse José Sócrates, indisfarçavelmente irritado, como se estivesse entre camaradas, num momento informal, e não numa entrevista televisiva, em directo, vista por milhões de portugueses.

 

Ao longo de toda a entrevista, vimos um primeiro-ministro a jogar à defensiva, quase sempre respondendo com perguntas, a tratar os dois jornalistas como se vivessem numa outra realidade que não esta, aos perguntar-lhes se sabiam o que era isto e aquilo, remetendo vezes sem conta quem o ouvia para o site do Ministério das Obras Públicas e até, pasme-se!, para os despachos da Agência Lusa, como se só estes tivessem credibilidade e os trabalhos dos restantes órgãos de informação não merecessem a mínima confiança.

 

Houve um momento em que parecia que o primeiro-ministro ia literalmente cair em cima de Judite de Sousa, tal era a irritação com que reagia às suas perguntas. Passou o tempo a tentar falar do que o seu Governo fez nos últimos quase quatro anos, como se a entrevista fosse uma espécie de balanço de mandato e não uma oportunidade para esclarecer várias as questões que estão actualmente em debate e preocupam os portugueses.

 

José Sócrates mostrou-se um primeiro-ministro desorientado, descontrolado e, sem dúvida, mal preparado para esta entrevista. Contudo, a sua postura - desde as expressões utilizadas, às respostas dadas aos gestos - dará, sem dúvida, boa matéria de análise para os especialistas em comportamento humano.




Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Desemprego galopante

Cresce assustadoramente o número de desempregados em Portugal. Todos os dias, mais uma fábrica fecha portas, mais uma empresa reduz o quadro de pessoal, mais umas quantas dezenas de famílias ficam sem saber como sobreviver. Sim, porque é de sobreviver que se trata. A classe média, trabalhadora, já não consegue apertar mais o cinto. Durante anos e anos, viveu com a promessa do Eldourado e, no fim, o que lhe dão não é mais do que uma mão cheia de nada e um pontapé no rabo. Portugal é, em toda a Europa, o país onde o fosse entre ricos e pobres é maior. A justiça social e fiscal não existe e só agora, à beira das eleições legislativas, é que o primeiro-ministro promete reduzir as deduções fiscais dos mais ricos. Se for eleito. Se o povo lhe der a tão desejada maioria absoluta. É preciso não esquecer que foi este primeiro-ministro que terminou com a obrigatoriedade de declarar as manifestações de riqueza em sede de IRS. É preciso lembrar que este primeiro-ministro defende o fim dos paraísos fiscais (vulgo, offshores)... excepto o da Madeira. É preciso não esquecer que este primeiro-ministro nacionalizou de forma célere o BPN, mas diz desconhecer situações de falências fraudulentas e despedimentos ilegais. Quando está à vista de todos que muitos destes processos de despedimento colectivo, destes encerramentos não são mais do que um aproveitamento abusivo da crise económico-financeira para que o patronato possa a seu bel-prazer aumentar os lucros à custa, uma vez mais, da classe trabalhadora. Haja vontade de investigar!




Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
Em defesa da honra - I

O país parou hoje, às 17.45 horas, para ouvir o primeiro-ministro dizer mais do mesmo sobre o envolvimento do seu nome no caso Freeport: "Estas notícias baseiam-se em fugas de informação selectivas, manipuladas e orientadas com um único fim: atingir-me pessoal e politicamente". Segundo José Sócrates, trata-se de uma "campanha negra" com o "intuito" de atacar a sua honra.

 

 

Independentemente de serem ou não fundadas as notícias, está Sócrates em condições para se recandidatar ao cargo de primeiro-ministro?




Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
O Governo e o choque tecnológico

Portugal Tecnológico é o nome de uma exposição que está patente na FIL, em Lisboa, até ao dia 23 deste mês e que é apadrinhada pelo primeiro-ministro. Ou não fosse José Sócrates o grande defensor da importância de haver um choque tecnológico em Portugal. A começar pela Administração Pública.

 

Pena é que o primeiro-ministro e a sua equipa ainda não se tenham mentalizado que não basta oferecer às pessoas as ferramentas necessárias, é preciso também ensinar-lhes como utilizá-las da forma mais eficaz e organizar as equipas de modo a que as ferramentas tecnológicas permitam os resultados desejados. E nem sempre isso acontece.

 

Vejam este simples exemplo que se passou comigo recentemente. No dia 4 deste mês enviei um e-mail, através do site do Instituto de Segurança Social (ISS) solicitando uma informação tão simples quanto esta: "Necessito de uma declaração em como não tenho dívidas pendentes à SS. Posso pedi-la na loja do cidadão ou terá que ser nas vossas instalações? Quanto tempo demora a emissão desta declaração e quanto custa?" Três dias depois, recebi um e-mail da Unidade de Gestão de Atendimento do ISS dizendo que a mensagem foi encaminhada para o seviço competente. Como nunca mais obtinha resposta às minhas dúvidas, arranjei tempo para ir directamente à SS (passei horas da fila, acreditem) e resolvi o assunto pessoalmente. No dia 18 (ontem) recebi novo e-mail, desta vez do Centro Distrital de Lisboa do ISS informando-me, uma vez mais, que a mensagem foi encaminhada para o serviço competente. E hoje, qual não é o meu espanto, quando leio um e-mail de uma pessoa do ISS (não é identificado o serviço a que esta pertence) dizendo que a declaração solicitada já tinha sido emitida. Obviamente!

 

 

Isto só prova que se queremos esclarecer qualquer dúvida junto da Asministração Pública nada melhor do que dirigirmo-nos pessoalmente ao respectivo bancão. Nem que percamos uma manhã ou uma tarde em longas filas. Vale mais do que confiar do chamado choque tecnológico!




Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
Estou preocupada...

Estou seriamente preocupada com o nosso primeiro-ministro!

 

De verdade que estou.

 

Quer queiramos, quer não, trata-se do líder do Governo que comanda os destinos de Portugal (pelo menos, durante mais um ano). E José Sócrates e os seus ministros diariamente dão sinais claros de desgaste intelectual (para não dizer desonestidade intelectual) de que o caso BPN é só o último episódio.

 

Estou mesmo preocupada. Não é crível que um primeiro-ministro diga uma barbaridade (será que vou ser acusada de delito de opinião?!) como esta, proferida à saída do debate do Orçamento de Estado, na Assembleia da República, a propósito continuidade no cargo do governador do Banco de Portugal: "Há momentos em que temos que escolher entre o infractor e o regulador. Este é o momento para apoiarmos o regulador (...)".

 

Por mais que pense, não consigo vislumbrar uma situação em que um Governo, um Estado, deva defender um infractor, seja ele quem for. Não vivemos num Estado de Direito, no qual quem comete uma transgressão deve ser sancionado? Pode ser discutida a forma e duração desta sanção, mas não a sua aplicabilidade.

 

Será que sou eu quem está errada?


Jamé...: preocupada!


Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
O orçamento do Governo do choque tecnológico

O Governo do choque tecnológico, do computador Magalhães e das escolas ligadas à internet não conseguiu entregar, a tempo e horas, na Assembleia da República, o Orçamento de Estado para 2009. Apesar de ter sido esse mesmo Governo a solicitar a antecipação da data de entrega em um dia, devido a compromissos do senhor Ministro das Finanças. Apesar de este ter feito questão de sublinhar que "este documento, até o computador Magalhães abria". Pudera...

 

 

O Governo não entregou, a tempo e horas, nem sequer o documento por inteiro. Limitou-se a entregar no Parlamento uma pen USB com parte do documento, sem anexos, nem mapas. O dia foi de tal forma aziago em termos informáticos que até os próprios serviços da Assembleia da República tiveram dificuldade em fazer cópias dos documentos para entregar aos deputados. O que levou alguns destes a afirmar que "tudo não passou de uma encenação".

 

 

Argumentar que tudo se deveu a "complexidade dos documentos" e fingir que não se passou nada de anormal, como fez o primeiro-ministro (que recusou comentar o caso alegando ter pessoas à sua espera para jantar), não é próprio de um Governo que se diz adepto das novas tecnologias, que adopta políticas de desmaterialização de documentos e de serviços on-line, e muito menos dignificante de um primeiro-ministro que está constantemente a pedir aos portugueses que confiem nele porque, "ao contrário de outros", não vira a cara aos problemas.




Terça-feira, 1 de Abril de 2008
(In)segurança rodoviária

Há mais de dois meses, que a Estradas de Portugal colocou postos SOS na variante à Estrada Nacional 10 (IC 2), que liga Moscavide a Santa Iria de Azóia. Dez anos depois de construída esta via rápida, alguém se lembrou finalmente que faltavam os ditos postos, só que, mais de dois meses após a sua instalação, ainda não estão operacionais. Cobertos ainda com sacos pretos, parecem estar à espera de uma qualquer cerimónia de inauguração, quem sabe talvez com a presença do primeiro-ministro que, a cerca de um ano das eleições legislativas, anda já numa roda-viva pelo país a lançar projectos e a inaugurar obras. Enquanto isso, os utentes daquela via (muitos dos quais são condutores de pesados de mercadorias) continuarão à espera que alguém active os ditos postos SOS, tendo que recorrer os seus telemóveis pessoais sempre que necessitarem de assistência.


Jamé...:
Música: Telenovela Fascínios, TVI


Sábado, 2 de Fevereiro de 2008
As verdades socráticas
  1. Sócrates não gosta dos jornalistas. Especialmente dos jornalistas que não se cansam de procurar a mais pequena nódoa que seja nas vidas profissionais daqueles que compõem o seu Governo e/ou nos processos de decisão ou nos corredores de São Bento. Se a nódoa tornada pública diz especificamente respeito ao primeiro-ministro trata-se logo de "um ataque pessoal e político" da parte do jornalista e do órgão de comunicação social para o qual trabalha. Assim é, diz Sócrates, no caso das reportagens ontem e hoje editadas pelo Público, da autoria de José António Cerejo; assim foi quando se descobriu que José Sócrates não é licenciado em Engenharia, e em tantos outros casos. O perfeccionismo do primeiro-ministro não lhe permite (nem intimamente) admitir que às vezes também erra, consciente ou inconscientemente, e que não lhe é permitido, de facto, controlar tudo e todos, por muito que se esforce nesse sentido e mesmo que para tal tenha que atropelar a lei. 
  2. Veja-se o caso do semanário Sol, que se viu obrigado a processar o Governo por este se recusar a fornecer informações sobre os contratos que o Executivo celebrou com advogados nos anos de 2005 e 2006.O Supremo Tribunal Administrativo (STA) deu razão ao semanário considerando a postura do Governo "inaceitável", por se tratar de "uma verdadeira denegação do direito de acesso às informações pretendidas". Mais: o STA considera "que, a terem sido contratados advogados e juristas, foram-no com a utilização de dinheiros públicos, relativamente aos quais qualquer dicadão tem o direito de saber como foram gastos, e que, tratando-se de informação não reservada, a Administração está obrigada a prestá-la".
  3. Raros deverão ser os jornalistas que nunca se sentiram pressionados por membros do Governo a não publicarem determinada informação ou a desmentir uma notícia publicada. Eu já fui, por um assessor de um ex-ministro deste Governo, que queria obrigar-me a "rectificar" alguns dados publicados só porque estes eram desfavoráveis ao senhor ministro. Os dados eram "tão falsos" que o senhor assessor nem se atreveu a pedir a rectificação ao abrigo da Lei de Imprensa, o que nos obrigaria, de facto, a rectificá-los. Penso que isto diz tudo! 

Jamé...:
Música: F.C. Porto vs U. Leiria na SportTv1


Sábado, 26 de Janeiro de 2008
A manifestações loucas, orelhas moucas

Quando um primeiro-ministro diz estar "muito habituado a manifestações" e que estas em nada o afectam, como José Sócrates admitiu hoje, em Évora, é porque algo vai realmente mal na política. As manifestações, mesmo aquelas que alegadamente são organizadas por estruturas sindicais, são sintoma de que algo desagrada a determinado sector da população e não deveriam, por isso, ser menosprezadas. Neste caso concreto, aos sindicalistas juntaram-se utentes do Centro de Saúde de Vendas Novas, que reclamavam o seu funcionamento 24 horas por dia. Numa altura em que a política da saúde está a ser fortemente contestada, em que diariamente são tornados públicos casos de mortes alegadamente provocadas por deficiente socorro ou assistência médica, ouvir da boca de um primeiro-ministro que as manifestações em nada o afectam é o mesmo que dizer aos portugueses que não têm direito a ter voz, a criticar o que acham que deve ser criticado e a exigir que o Governo, eleito por este mesmo povo, cumpra o que prometeu. José Sócrates comporta-se cada vez mais como um ditador e não como um chefe de um Governo democrata, como tanto gosta de apregoar. Já é mais do que tempo de descer do seu pedestal e de visitar o país real, de ouvir as dores do povo e conhecer as suas reais condições de vida. A não ser que se prepare para fazer como o outro que, quando tomou consciência de que o barco estava mesmo à deriva, foi o primeiro a abandoná-lo e refugiou-se na Europa. Nessa Europa à qual dizemos pertencer, mas da qual todos os dias estamos um pouco mais afastados. 


Música: Relato do Guimarães vs Benfica, na TVI


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