... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Lei da Paridade

É verdade! As mulheres fazem a democracia melhor. Mas não apenas se integrarem listas políticas candidatas a determinado acto eleitoral por força da Lei da Paridade. As mulheres fazem a democracia melhor se ocuparem também lugares de decisão na magistratura, nas universidades, nos centros de investigação, nas empresas, nas unidades de saúde, nas polícias, nas forças armadas, etc., etc., etc. Os números não mentem. Há cada vez mais mulheres nas universidades e, consequentemente, no mercado de trabalho nas mais diversas áreas. Mas este crescimento não se tem traduzido num aumento proporcional do número de mulheres que ocupam lugares de decisão. Esses continuam quase como que um exclusivo dos homens. E este é um ciclo que ainda vai demorar várias décadas a interromper.

 

 

A Lei da Paridade determina que "as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação miníma de 33% de ambos os sexos". E o nosso pensamento imediatamente se centra nas mulheres. A propaganda institucional que se vê/ouve nas rádios, televisões, jornais, revistas, centra-se nas mulheres. Todo o debate que se gerou em torno da lei centrou-se sobre o acesso das mulheres à política, como se esse não fosse um direito delas como cidadãs de plenos direitos (e deveres) que são, mas sim uma benesse conferida pelo legislador. Leis como esta em nada dignificam as mulheres nem a democracia. Só a prática, a começar pela dos gestores públicos, contribuirá para uma efectiva mudança de mentalidades e, consequentemente, na participação igualitária das mulheres em todas as áreas de vida comunitária.




Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
Uma questão de oportunidade: o casamento homossexual

Argumentar que o casamento homossexual será uma realidade em Portugal "quando for oportuno", como o PS alega, é pura hipocrisia. Impor disciplina de voto numa matéria tão sensível quanto esta - onde o que está em causa são direitos, liberdade e garantias constitucionalmente consagrados - é pura demagogia.

 

 

A posição actual do PS nesta matéria deriva mais de uma estratégia definida para o médio prazo do que de uma convicção política. No próximo ano há eleições (legislativas e autáquicas) e os socialistas não querem perder os votos do católicos. Bem basta já a tão polémica aprovação da lei da interrupção voluntária da gravidez. E por essa mesma razão, o assunto não fará parte do próximo programa eleitoral.

 

 

Adiar a aprovação do casamento homossexual é hipotecar a vida de muitos portugueses (alguns dos quais filiados no PS), é negar-lhes direitos consagrados constitucionalmente, é tratá-los como portugueses de segunda. É fomentar a homofobia, dar um claro sinal de conservadorismo bacoco e ajoelhar o país aos pé da Igreja Católica. Só falta mesmo implorar pelo regresso da Santa Inquisição e extirpar este mal da sociedade portuguesa.




Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Um pouco de humor

Porque em política faz sempre falta um pouco de humor, e porque hoje a função pública esteve em greve, deixo-vos aqui algumas ideias (enviadas pelo meu amigo Carlos Martins) que os funcionários públicos podem utilizar nas suas camisolas em próximas manifestações:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Jamé...:
Música: Relato União de Leiria vs Vitória de Guimarães, Sport TV1


Sexta-feira, 7 de Março de 2008
Estou de volta!

Há três semanas que não colocava um post neste blogue. Como é possível, logo num blogue que tem a pretensão de acompanhar a actualidade política nacional e comentá-la? Acreditem que não foi por falta de temas que este blog ficou vazio nas últimas três semanas. O cansaço, a falta de tempo, de paciência, etc., são os culpados desta inactividade, mas estou de volta. A disposta a não mais estar tanto tempo sem blogar. Por isso, fiquem atentos!


Jamé...:
Música: Telejornal - RTP 1


Sábado, 26 de Janeiro de 2008
A manifestações loucas, orelhas moucas

Quando um primeiro-ministro diz estar "muito habituado a manifestações" e que estas em nada o afectam, como José Sócrates admitiu hoje, em Évora, é porque algo vai realmente mal na política. As manifestações, mesmo aquelas que alegadamente são organizadas por estruturas sindicais, são sintoma de que algo desagrada a determinado sector da população e não deveriam, por isso, ser menosprezadas. Neste caso concreto, aos sindicalistas juntaram-se utentes do Centro de Saúde de Vendas Novas, que reclamavam o seu funcionamento 24 horas por dia. Numa altura em que a política da saúde está a ser fortemente contestada, em que diariamente são tornados públicos casos de mortes alegadamente provocadas por deficiente socorro ou assistência médica, ouvir da boca de um primeiro-ministro que as manifestações em nada o afectam é o mesmo que dizer aos portugueses que não têm direito a ter voz, a criticar o que acham que deve ser criticado e a exigir que o Governo, eleito por este mesmo povo, cumpra o que prometeu. José Sócrates comporta-se cada vez mais como um ditador e não como um chefe de um Governo democrata, como tanto gosta de apregoar. Já é mais do que tempo de descer do seu pedestal e de visitar o país real, de ouvir as dores do povo e conhecer as suas reais condições de vida. A não ser que se prepare para fazer como o outro que, quando tomou consciência de que o barco estava mesmo à deriva, foi o primeiro a abandoná-lo e refugiou-se na Europa. Nessa Europa à qual dizemos pertencer, mas da qual todos os dias estamos um pouco mais afastados. 


Música: Relato do Guimarães vs Benfica, na TVI


Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
Quem não deve... não teme

Desde que iníciou o processo de encerramento de urgências hospitalares e Serviços de Atendimento Permanente (SAP), o ministro da Saúde tem estado debaixo de fogo cerrado. População, autarcas, partidos da oposição e técnicos de saúde têm-se manifestado veementemente contra esta política. Mas com uma calma por vezes a roçar o cínico, Correia de Campos tem sempre defendido o seu projecto de reestruturação da rede de urgências, chegando mesmo a alvitrar que, daqui a pouco tempo, os portugueses até lhe vão agradecer por ter tomado estas decisões. O problema é que os sucessivos casos de mortes ocorridas em áreas onde recentemente encerraram serviços de urgência em nada abona em favor desta política arrogante. E hoje mesmo, um bebé de cerca de três meses morreu ao colo da mãe, dentro de uma ambulância, ao seu transportado ao Hospital de Viseu, uma vez que as urgências do da Anadia foram encerradas. Como defende o presidente da Administração Regional de Saúde - Centro, pode nem haver um nexo de causalidade entre um e outro facto, mas a verdade é que a suspeição fica sempre no ar. E cria insegurança na população. Mais. Se Correia de Campos tem tanta certeza de que este é o caminho certo, não se percebe por que razão, hoje mesmo, evitou uma manifestação de utentes dos hospitais de Anadia e da Universidade de Coimbra, quando se deslocou ao Hospital dos Covões para inaugurar a nova Unidade de Cardiologia de Intervenção. Em vez de entrar pela porta principal, entrou pela porta do cavalo. Costuma dizer-se que quem não deve, não teme!, mas o ministro da Saúde deve ter-se esquecido deste adágio popular. Ou será que deve alguma coisa?


Jamé...: Revoltada!
Música: O ladrar insistente da Pantufa


Domingo, 13 de Janeiro de 2008
Obrigada, senhor ministro!

Há muito tempo que me apetecia criar um blogue assim, onde pudesse livremente discorrer sobre a política e os políticos portugueses, mas tal como outros projectos, este era mais um que eu vinha adiando sine die. Até que o Governo resolveu anunciar que o futuro novo aeroporto internacional de Lisboa será construído em Alcochete, precisamente no local onde o ministro das Obras Pública tinha garantido que "jamé!" seria construído. Afinal, é preciso não esquecer que Alcochete fica localizado num deserto. Mário Lino foi publicamente desautorizado pelo primeiro-ministro, mas continua a merecer a sua total confiança. E continua a aparecer nos meios de comunicação social a dissertar sobre este "projecto estruturante para o desenvolvimento do país". O episódio "Alcochete Jamé" ficará nos anais da história política portuguesa como um claro sinal de falta de sentido de orientação deste Governo, que parece navegar ao sabor de várias correntes. E a expressão "Alcochete Jamé!" como um sinónimo de "negar aquilo que queremos dizer". Resta-me apenas agradecer ao ministro Mário Lino por ter protagonizado este tão hilariante episódio. Certamente, sem este, continuaria a adiar sine die a criação de um espaço de crítica como este.


Jamé...:


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Em co-autoria: "Memórias da Siderurgia - Contribuições para a História da Indústria Siderúrgica em Portugal", coordenação Maria Fernanda Rollo, ed. História e Câmara Municipal do Seixal, 2005
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