... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Ele está de volta!

É oficial: Pedro Santana Lopes é o candidato do PSD à presidência da Câmara Municipal de Lisboa nas autárquicas do próximo ano.

 

Será que Lisboa já terá recuperado dos traumas do abandono? Será que Lisboa está disposta a perdoar e a dar uma segunda oportunidade?

 

Não percam os próximos episódios deste romance...




Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Volta, Santana, que não estás perdoado!

Só hoje tive oportunidade de ler a entrevista de Pedro Santana Lopes à revista Pública, em que ele confirma o seu desejo de regressar à liderança da Câmara Municipal de Lisboa, de onde, aliás, segundo o próprio, nunca deveria ter saído. Santana Lopes sempre foi ambicioso. Muito ambicioso e o poder atrai-o de sobremaneira. Ninguém acredita, por isso, que a sua ida para o Governo, em 2004, se tenha devido apenas ao facto de o partido "nunca o perdoar" se não aceitasse substituir Durão Barroso no cargo. Ele próprio admite, na entrevista, que estaria a "prejudicar-se para sempre" caso recusasse o convite.

 

 

A ambição de Santana é tal que o próprio só admite exercer mais algum cargo político se for "para tentar estar dois mandatos em Lisboa" e que, desta vez, "nada, mas nada, mas nada" o fará abandonar a Câmara antes de cumprir os dois mandatos. Esquecer-se-á Santana Lopes que a voz do povo é soberana e só os eleitores lhe permitirão, em última instância, cumprir os dois mandatos? Que fará caso, nas segundas eleições, não for o escolhido? Tomará a governação da Câmara à força?

 

 

Se, repito, se for eleito, espero que não tente manobrar a imprensa como o fez anteriormente e que se rodeia de uma equipa de assessores melhor preparada. Guardo religiosamente uma carta de uma das suas chefes de gabinete a propósito de um comentário meu publicado no Jornal de Notícias. Trata-se de uma verdadeira relíquia, acreditem! A minha primeira reação foi rir. Depois, foi a de pena para com aquela. Cheguei mesmo a ter vontade de aconselhá-la a voltar à escola para (re)aprender a escrever português e a tirar um curso de assessoria, onde lhe ensinariam, entre outras coisas, que em política está-se mais exposto à crítica e há que ter algum poder de encaixe e não cair na tentação de enviar cartas a jornalistas por tudo e por nada. Sob pena de se cair no ridículo!




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