... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
Muralha de aço

Um dos principais atractivos de Lisboa é o Tejo e a relação que a cidade estabelece com este. Depois de décadas de costas voltadas para o rio, aos poucos a cidade foi-se aproximando do Tejo e hoje existem várias áreas na zona ribeirinha onde podemos usufruir de agradáveis momentos de lazer. Eu, por exemplo, quando preciso de momentos de reflexão costumo estacionar o carro na zona das Docas. Dá-me paz olhar para o balançar das águas, ver os navios a navegar, as gaivotas a grasnar...

 

 

Como tenho esta visão idílica do Tejo, custa-me entender que o queiram esconder, principalmente quando se recorre a argumentos económicos. Como acontece com o projecto hoje apresentado pela Administração do Porto de Lisboa na Câmara de Lisboa e que prevê a triplicação da capacidade de armazenamento de contentores. Melhor dizendo, a construção de uma verdadeira muralha de aço que afastará o rio das pessoas. Um projecto apresentado como um facto consumado, tendo em conta que o Governo aprovou já, sem recurso a concurso público, o prolongamento da concessão à Liscont, do Grupo Mota Engil, onde é administrador um antigo ministro do PS, Jorge Coelho.

 

As obras de ampliação durarão (previsivelmente) seis anos, período durante o qual será interdito o acesso ao rio pela zona das Docas, o que colocará em risco o emprego de quem trabalha nos bares/discotecas/restaurantes da zona. Tendo em conta que um relatório do Tribunal de Contas, datado de Setembro de 2007, refere que a Administração do Porto de Lisboa "apresenta desafogadas capacidades instaladas e disponíveis, para fazer face a eventuais crescimentos do movimento de contentores", menos ainda se entende a razão de ser deste projecto. A não ser devido a interesses económicos.




Terça-feira, 16 de Setembro de 2008
GALP vs Consumidores vs Governo

Se dúvidas existissem de que algo vai mal no mundo dos combustíveis em Portugal, o apelo feito hoje pelo ministro da Economia dissipou todas as dúvidas. Se até o próprio Manuel Pinho afirma que os preços da gasolina e do gasóleo "devem descer e depressa", uma vez que o preço da matéria-prima tem estado a descer nos últimos dias, é porque, de facto, os critérios aplicados para a subida e descida de preços não são os mesmos. Há muito que os consumidores se queixam de que as petrolíferas são bastante mais rápidas a subir o preço dos combustíveis do que a baixá-los. Do mesmo se queixou, esta semana, o presidente da ANAREC - Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis. E no meio de tantas críticas, qual a posição das petrolíferas?

 

 

Também ontem, o presidente da GALP (líder do mercado nacional) veio a lume tentar acalmar os ânimos, dizendo que a subida ou descida do preço dos combustíveis não depende apenas do preço do crude. Mas nada mais adiantou e duvido de que alguém tenha verdadeiramente acreditado nas suas palavras. Quando a própria Direcção Geral da Energia afirma que, em Portugal, em média, os combustíveis estão 16 cêntimos (= 32$00) mais caros do que o que seria normal, então é porque as petrolíferas não estão a jogar claro. Estamos, literalmente, a ser roubados!

 

 

Desde que esta escala de preços começou que os 30 euros com que habitualmente abasteço o depósito do meu carro já não são suficientes para o encher. E eu, que era cliente fiel da Galp, há muito que passei a abastecer na concorrência (principalmente, na AVIA) e passei a ter a preocupação de comparar os preços das diferentes gasolineiras por onde passo. 

 

 

Já é tempo mais do que suficiente para o Governo ter uma atitude firme e activa em relação a esta matéria.


Jamé...:


Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
O ministro da Saúde caiu! Viva o ministro!

Muitos foram os que suspiraram de alívio ou mesmo bateram palmas de contentamento quando se soube, hoje à tarde, que o tão criticado ministro da Saúde tinha finalmente sido substituído. Depois de várias manifestações, de várias mortes, de vários desencontros, Correia de Campos terá posto a mão na consciência e percebido o que há muito toda a gente já tinha percebido: que a sua imagem estava de tal forma desgastada e ligada a acontecimentos negativos, que por muitas explicações que desse, seriam tudo palavras vãs. No blogue "Causa Nossa", Vital Moreira considera que esta mini-remodelação (que abrangeu também a ministra da Cultura) é "uma clara vitória da rua, do aparelho do PS e da oposição". Não penso que assim seja, tanto mais que o ministro da Economia veio já a público dizer que a política da saúde levada a cabo até hoje é para continuar. Além disso, o orgulho do primeiro-ministro jamais lhe permitiria dar este bombom aos seus opositores.  A saída de Correia de Campos não deixa de ser um reconhecimento de que algo falhou nesta área. E prova disso foi o facto de José Sócrates se ter recusado a falar aos jornalistas durante todo o dia de ontem. Ele, que sempre chama a si os dossiês mais complicados em tempo de crise, preferiu não tecer quaisquer comentários sobre esta mini-remodelação. Por que será?


Jamé...:
Música: Programa "Bola Branca", na Rádio Renascença


Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Caos na emergência médica!

Já não bastavam as mortes atibuídas ao encerramento das urgências hospitalares e dos Serviços de Atendimento Permanente. Nem as mortes inexplicáveis de dois idosos no Hospital de Aveiro. A publicitação das conversas que um elemento do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes)  teve com dois bombeiros das corporações de Favaios e de Alijó, a propósito da necessidade de socorro a um homem de Castedo do Douro, pôs a nu as muitas fragilidades que o sistema de emergência português ainda tem e aumentou ainda mais os receios da população, sobretudo mais carenciada e desprotegida, que não tem meios para se recorrer aos sistemas privados de saúde. E pede Correia de Campos que os portugueses ajudem a melhorar as relações entre o INEM e os bombeiros. Que tal os membros do Governo começarem por dar o exemplo?

Oiçam e reflictam bem no problema:

 

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Música: Relato do Sporting de Braga vs Belenenses na SportTV1


Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
Saúde para turista ver

Depois dos médicos, são agora os enfermeiros do Hospital Distrital de Faro que lançam um grito de alerta para o que se está a passar nas urgências daquela unidade de saúde. Há muito que as instalações deixaram de ter capacidade de resposta à procura, que, ao contrário do que o ministro Correia de Campos veio afirmar, não aumenta apenas nos meses de verão. Prova disso é o que se está a passar actualmente, com centenas de doentes acamados nos corredores, sem qualquer tipo de privacidade mesmo na hora de fazer a sua higiene diária e sujeitos aos mais diversos tipos de infecções. A situação descrita pelos técnicos de saúde e as imagens televisionadas são de tal forma chocantes que não deixam de causar alarme social a todos quantos dependem daquele hospital. E a única reacção do ministro da Saúde é dizer que o novo hospital, que ainda nem sequer está em construção, irá resolver todos os problemas agora sentidos. Mais uma vez, Correia de Campos deu um tiro no pé. Serão precisas mais provas para demonstrar que está mais do que na hora de remodelar o ministro da Saúde?


Jamé...:
Música: "Prós e Contras" na RTP 1


Domingo, 20 de Janeiro de 2008
As urgências do sr. ministro!

No seu habitual comentário de domingo, na RTP 1, Marcelo Rebelo de Sousa colocou o dedo na ferida: não é a competência técnica do ministro da Saúde que está em causa, mas sim a sua (in)competência política. E é esta que dita a sua remodelação urgente. A imagem de Correia de Campos está de tal forma desgastada que qualquer esclarecimento público que faça soará a falso ou será visto como um atirar de areia para os olhos do povo. As declarações que hoje fez na RTP-N sobre a morte de um bebé em Carregal do Sal, esta semana, só contribuiram mais para acentuar a sua falta de habilidade política. O ministro admitiu que houve uma falha no socorro ao bebé (que foi transportado numa ambulância apenas com a mãe e o motorista, quando a lei obriga a que existam dois tripulantes), mas que, se esta não existisse, o desfecho seria o mesmo. Com declarações deste género não se percebe por que é que José Sócrates veio hoje a público insurgir-se contra aquilo que diz ser um aproveitamento político por parte de alguns jornais e partidos da oposição no caso da morte do bebé de Anadia. Não será tempo de o primeiro-ministro deixar de ser teimoso e remodelar quem deve ser remodelado?


Jamé...:


Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
Quem não deve... não teme

Desde que iníciou o processo de encerramento de urgências hospitalares e Serviços de Atendimento Permanente (SAP), o ministro da Saúde tem estado debaixo de fogo cerrado. População, autarcas, partidos da oposição e técnicos de saúde têm-se manifestado veementemente contra esta política. Mas com uma calma por vezes a roçar o cínico, Correia de Campos tem sempre defendido o seu projecto de reestruturação da rede de urgências, chegando mesmo a alvitrar que, daqui a pouco tempo, os portugueses até lhe vão agradecer por ter tomado estas decisões. O problema é que os sucessivos casos de mortes ocorridas em áreas onde recentemente encerraram serviços de urgência em nada abona em favor desta política arrogante. E hoje mesmo, um bebé de cerca de três meses morreu ao colo da mãe, dentro de uma ambulância, ao seu transportado ao Hospital de Viseu, uma vez que as urgências do da Anadia foram encerradas. Como defende o presidente da Administração Regional de Saúde - Centro, pode nem haver um nexo de causalidade entre um e outro facto, mas a verdade é que a suspeição fica sempre no ar. E cria insegurança na população. Mais. Se Correia de Campos tem tanta certeza de que este é o caminho certo, não se percebe por que razão, hoje mesmo, evitou uma manifestação de utentes dos hospitais de Anadia e da Universidade de Coimbra, quando se deslocou ao Hospital dos Covões para inaugurar a nova Unidade de Cardiologia de Intervenção. Em vez de entrar pela porta principal, entrou pela porta do cavalo. Costuma dizer-se que quem não deve, não teme!, mas o ministro da Saúde deve ter-se esquecido deste adágio popular. Ou será que deve alguma coisa?


Jamé...: Revoltada!
Música: O ladrar insistente da Pantufa


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