... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Terça-feira, 21 de Abril de 2009
"Dá-me licença, pá?"

Foi assim que o primeiro-ministro se dirigiu, a determinada altura, a José Alberto Carvalho, durante a entrevista que este conduziu, esta noite, juntamente com Judite de Sousa, no canal 1 da RTP. "Dá-me licença, pá?", disse José Sócrates, indisfarçavelmente irritado, como se estivesse entre camaradas, num momento informal, e não numa entrevista televisiva, em directo, vista por milhões de portugueses.

 

Ao longo de toda a entrevista, vimos um primeiro-ministro a jogar à defensiva, quase sempre respondendo com perguntas, a tratar os dois jornalistas como se vivessem numa outra realidade que não esta, aos perguntar-lhes se sabiam o que era isto e aquilo, remetendo vezes sem conta quem o ouvia para o site do Ministério das Obras Públicas e até, pasme-se!, para os despachos da Agência Lusa, como se só estes tivessem credibilidade e os trabalhos dos restantes órgãos de informação não merecessem a mínima confiança.

 

Houve um momento em que parecia que o primeiro-ministro ia literalmente cair em cima de Judite de Sousa, tal era a irritação com que reagia às suas perguntas. Passou o tempo a tentar falar do que o seu Governo fez nos últimos quase quatro anos, como se a entrevista fosse uma espécie de balanço de mandato e não uma oportunidade para esclarecer várias as questões que estão actualmente em debate e preocupam os portugueses.

 

José Sócrates mostrou-se um primeiro-ministro desorientado, descontrolado e, sem dúvida, mal preparado para esta entrevista. Contudo, a sua postura - desde as expressões utilizadas, às respostas dadas aos gestos - dará, sem dúvida, boa matéria de análise para os especialistas em comportamento humano.




Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Sócrates e o casamento homossexual

José Sócrates está aflito. Diria mesmo, aflitíssimo. Está a ver que o tapete lhe escorrega cada vez mais debaixo dos pés e que a tão pedida maioria absoluta está cada vez mais longe. Só assim se justifica que, de repente, tenha eleito como tema estruturante de debate nacional o casamento civil entre homossexuais. Logo ele que ainda há meia dúzia de meses rejeitava discutir este assunto no Parlamento, argumentando que o tema que não estava na agenda nem do Governo, nem do PS. O que mudou para que Sócrates alterasse radicalmente a sua posição? O descontentamento do povo para com a sua governação, à qual acresce a vontade férrea de se manter no poder a todo o custo. Mesmo que para isso tenha que se vergar a temas que lhe são particularmente caros. 




Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Síndrome do Pinóquio

A expressão não é minha, mas de um dos intervenientes do Fórum da TSF, que hoje debateu as propostas ontem apresentadas pelo primeiro-ministro relativamente à reforma do sistema fiscal. Mas subscrevo-a inteiramente! José Sócrates sofre da Síndrome do Pinóquio. Mente descarada e sistematicamente e está convencido de que os portugueses não se apercebem, que têm memória curta e, por isso, não se coíbe de lhes pedir uma nova maioria absoluta.

 

Sempre partilhei dos valores da Esquerda. Sempre voltei à Esquerda. Nas últimas eleições legislativas votei no PS. Ou melhor, em José Sócrates. No projecto que apresentou. Na forma convincente como prometia reformar o país de modo a colocá-lo na linha da frente. Mas há muito que me arrependi. Sinto-me traída. E por isso, sinto o dever patriótico de nas próximas legislativas não votar no PS. E como eu, milhares de portugueses. Porque se José Sócrates conquistar nova maioria, seja ela relativa ou absoluta, tenho que concordar com o Alberto João Jardim: os portugueses devem estar loucos.

 

Quando, ontem, José Sócrates afirmou que "o emprego deve ser a prioridade das prioridades sociais em Portugal", estava, de facto, a assumir que nestes últimos quatro anos a questão do emprego não foi uma prioridade para o seu Governo. E não há como desmenti-lo! Diariamente, centenas de portugueses conhecem a realidade do desemprego sem verem garantidos minimamente os seus direitos. Em presas que reberam apoio financeiro do Estado para se instalarem em Portugal, estão a deslocalizar as suas instalações sem honrar os compromissos assumidos, sem que o Estado faça o que quer que seja.

 

Quando, ontem, José Sócrates anunciou que "é injusto os titulares de altos rendimentos gozarem hoje de maiores deduções do que a classe média", estava, de facto, a admitir que o seu Governo nada fez, nos últimos quatro anos, para alterar esta situação.

 

E os exemplos não têm fim.

 

É mais do que tempo de os portugueses tomarem as rédeas do país e dizerem NÃO a este partido e a este primeiro-ministro!




Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
O Governo e o choque tecnológico

Portugal Tecnológico é o nome de uma exposição que está patente na FIL, em Lisboa, até ao dia 23 deste mês e que é apadrinhada pelo primeiro-ministro. Ou não fosse José Sócrates o grande defensor da importância de haver um choque tecnológico em Portugal. A começar pela Administração Pública.

 

Pena é que o primeiro-ministro e a sua equipa ainda não se tenham mentalizado que não basta oferecer às pessoas as ferramentas necessárias, é preciso também ensinar-lhes como utilizá-las da forma mais eficaz e organizar as equipas de modo a que as ferramentas tecnológicas permitam os resultados desejados. E nem sempre isso acontece.

 

Vejam este simples exemplo que se passou comigo recentemente. No dia 4 deste mês enviei um e-mail, através do site do Instituto de Segurança Social (ISS) solicitando uma informação tão simples quanto esta: "Necessito de uma declaração em como não tenho dívidas pendentes à SS. Posso pedi-la na loja do cidadão ou terá que ser nas vossas instalações? Quanto tempo demora a emissão desta declaração e quanto custa?" Três dias depois, recebi um e-mail da Unidade de Gestão de Atendimento do ISS dizendo que a mensagem foi encaminhada para o seviço competente. Como nunca mais obtinha resposta às minhas dúvidas, arranjei tempo para ir directamente à SS (passei horas da fila, acreditem) e resolvi o assunto pessoalmente. No dia 18 (ontem) recebi novo e-mail, desta vez do Centro Distrital de Lisboa do ISS informando-me, uma vez mais, que a mensagem foi encaminhada para o serviço competente. E hoje, qual não é o meu espanto, quando leio um e-mail de uma pessoa do ISS (não é identificado o serviço a que esta pertence) dizendo que a declaração solicitada já tinha sido emitida. Obviamente!

 

 

Isto só prova que se queremos esclarecer qualquer dúvida junto da Asministração Pública nada melhor do que dirigirmo-nos pessoalmente ao respectivo bancão. Nem que percamos uma manhã ou uma tarde em longas filas. Vale mais do que confiar do chamado choque tecnológico!




Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
Estou preocupada...

Estou seriamente preocupada com o nosso primeiro-ministro!

 

De verdade que estou.

 

Quer queiramos, quer não, trata-se do líder do Governo que comanda os destinos de Portugal (pelo menos, durante mais um ano). E José Sócrates e os seus ministros diariamente dão sinais claros de desgaste intelectual (para não dizer desonestidade intelectual) de que o caso BPN é só o último episódio.

 

Estou mesmo preocupada. Não é crível que um primeiro-ministro diga uma barbaridade (será que vou ser acusada de delito de opinião?!) como esta, proferida à saída do debate do Orçamento de Estado, na Assembleia da República, a propósito continuidade no cargo do governador do Banco de Portugal: "Há momentos em que temos que escolher entre o infractor e o regulador. Este é o momento para apoiarmos o regulador (...)".

 

Por mais que pense, não consigo vislumbrar uma situação em que um Governo, um Estado, deva defender um infractor, seja ele quem for. Não vivemos num Estado de Direito, no qual quem comete uma transgressão deve ser sancionado? Pode ser discutida a forma e duração desta sanção, mas não a sua aplicabilidade.

 

Será que sou eu quem está errada?


Jamé...: preocupada!


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