... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Emprateleirados

Só quem nunca viveu uma situação destas é que pode desvalorizar o estado de espírito de quem se encontra "na prateleira". É das situações mais desgastantes do ponto de vista psicológico e humilhantes do ponto de vista humano. Em tempo de crise financeira, as situações multiplicam-se. Os dias de incerteza servem de argumento às empresas para retirar de funções os empregados que já não lhes interessam, à espera que estes cedam e acabem por se ir embora de livre vontade.

 

 

E não pensem que apenas os funcionários de categoria inferior são afectados por este mal das sociedades ditas desenvolvidas. Este é um vírus que atinge todas as classes e níveis profissionais. Sei de pessoas com cargos de chefia que, depois de terem trabalhado no duro para o crescimento da empresa, são destituídos do cargo e isolados do resto da equipa até a pressão psicológica ser de tal forma que desatam a chorar como crianças assustadas. Sei de pessoas colocadas sem funções em caves sem janelas, dia após dia, ano após ano, obrigadas a cumprir um dia inteiro de trabalho. Funcionários de empresas que até têm projectos de solidariedade social... mas apenas para inglês ver.

 

 

Em tempos de crise, como os que vivemos actualmente, o chamado assédio moral agudiza-se e o ambiente nos locais de trabalho torna-se ainda mais pesado e irrespirável. Aumentam as desconfianças entre colegas, a competição doentia, horas de trabalho, as fragilidades psicológicas e emocionais com custos altíssimos, não só para os funcionários individualmente, mas também para as empresas e o próprio Estado. Mas estas são contas que nem uns, nem outros gostam de fazer.




Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008
O suicídio dos polícias... e não só!

Na sua habitual crónica no diário "24 horas", Joaquim Letria dissertava hoje sobre os recentes casos de suicídio entre elementos das forças de segurança, recordando que só no espaço de cinco dias cometeram suicídio três militares da GNR e um agente da PSP. Recusando o argumento de que tais actos se deveram a "problemas passionais", Joaquim Letria critica a insuficiência do apoio médico e a desatenção das chefias destas forças de segurança para este tipo de situações. Infelizmente, não são casos únicos.

 

 

Cada vez mais, as empresas e instituições olham para os seus colaboradores não como seres humanos que são, mas sim como meros instrumentos de produção, facilmente descartáveis, facilmente substituíveis. A pressão a que todos nós somos diariamente sujeitos, o número de horas que vivemos nos nossos locais de trabalho, as ordens e contra-ordens que recebemos, a falta de diálogo entre os diversos níveis de hierarquia e o ouvir e calar a que somos obrigados levam-nos muitas vezes a cometer actos destes ou semelhantes.

 

 

As empresas e instituições desumanizaram-se. Não têm tempo, nem espaço para perceber por que razão um dos peões anda para a direita, quando todos os outros caminham para a esquerda. Limitam-se simplesmente a colocá-lo de lado e a substituí-lo. Atendendo à crise económico-financeira que o país atravessa, à precariedade no emprego e à falta de aposta na saúde mental dos portugueses, surpresa é que a taxa de suicídios em algumas categorias profissionais ou os casos de actos tresloucados não tenham aumentado.


Jamé...:


Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Ainda a nova lei anti-tabaco...

É assim que maioria dos fumadores se deve sentir desde  que a nova lei anti-tabaco entrou em vigor, no início do ano, e que obriga as empresas e estabelecimentos de restauração e bebidas a ter salas especiais para quem fuma. Há dias, no programa "Praça da Alegria" (RTP 1), Luísa Castel-Branco insurgia-se contra a nova lei e a perseguição que agora é feita aos fumadores, argumentando que têm todo o direito a fumar onde quiserem, quando quiserem e quanto quiserem, comparando o vício de fumar com o vício das drogas no que diz respeito às consequências para terceiros. E nem o médico que estava no mesmo programa conseguiu fazê-la crer que é diferente para uma pessoa levar com o fumo de outra do que ver, por exemplo, um toxicodependente a injectar-se na rua.

Conheço vários tipos de fumadores. Desde aqueles que nunca tiveram coragem de assumir perante @ companheir@ que têm esse hábito, até àqueles que são perfeitamente susceptíveis aos argumentos dos não fumadores, até aos que se insurgem quando alguém lhes pede para atirar o fumo para o outro lado. Nada tenho contra quem fuma se não estiver a prejudicar a minha saúde. Penso, no entanto, que deveriam ter sido dados outros passos, antes de publicar uma lei tão restritiva e que, ao mesmo tempo, comporta tantas excepções e que coloca tantas dúvidas mesmo aos organismo que têm a obrigação de a fazer cumprir.

Afinal, sempre ouvi dizer que não é com vinagre que se apanham moscas. Será que esta legislação tão apertada terá mesmo os efeitos pretendidos?


Jamé...: Estou a incomodar o seu fumo?
Música: O relógio da sala a dar horas


Me, myself & I
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Em co-autoria: "Memórias da Siderurgia - Contribuições para a História da Indústria Siderúrgica em Portugal", coordenação Maria Fernanda Rollo, ed. História e Câmara Municipal do Seixal, 2005
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