... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Crise, qual crise?

Por causa da crise financeira mundial, todos os dias encerram fábricas e empresas e milhares de trabalhadores ficam no desemprego. Famílias que até há pouco tempo viviam relativamente desafogadas, hoje contam os trocos para ver se o dinheiro chega até ao fim do mês, enquanto dão voltas e voltas à cabeça para descobrir como vão pagar a próxima prestação da casa. Os pobres estão cada vez mais pobres. A fome alastra-se um pouco por todo o mundo, como uma pandemia. Os bancos decretam falência. Os Governos dizem-se impotentes para, sem mais sacrifício dos contribuintes, conseguirem a retoma do sistema financeiro. E no meio de todas estas notícias de mau prenúncio, eis que surge uma que nos prova, uma vez mais, que a crise não toca a todos e que, por si só, é uma verdadeira afronta a todos aqueles que passam uma vida inteira a trabalhar, por vezes em condições bastante duras, para no fim, não terem se não uns trocos: Cristiano Ronaldo jogar no Real Madrid e ganhar anualmente entre 9 a 10 milhões de euros (fora os extras, claro!). Mais palavras para quê?




Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Um exemplo a seguir!

Num mundo em que o desemprego cresce de forma galopante, em que o patronato usa e abusa de esquemas mais ou menos legais para pressionar os trabalhadores e em que o bem-estar deste é a última das preocupações (se é que alguma vez o foi), ainda parecem existir excepções à regra.

 

 

A Google, já considerada uma das melhores empresas do mundo para trabalhar, resolveu identificar os trabalhadores que se sentem desmotivados e perceber as suas razões,  tentando assim evitar possíveis demissões. Porque se trata de uma empresa que acredita que o capital humano é, de facto, o que faz a diferença. Temendo  mais fugas de recursos humanos para empresas concorrentes, a Google está apostada em manter os seus quadros e em dar-lhes ainda melhores condições de trabalho.

 

Sem dúvida, um exemplo que deveria ser seguido!




Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Desemprego galopante

Cresce assustadoramente o número de desempregados em Portugal. Todos os dias, mais uma fábrica fecha portas, mais uma empresa reduz o quadro de pessoal, mais umas quantas dezenas de famílias ficam sem saber como sobreviver. Sim, porque é de sobreviver que se trata. A classe média, trabalhadora, já não consegue apertar mais o cinto. Durante anos e anos, viveu com a promessa do Eldourado e, no fim, o que lhe dão não é mais do que uma mão cheia de nada e um pontapé no rabo. Portugal é, em toda a Europa, o país onde o fosse entre ricos e pobres é maior. A justiça social e fiscal não existe e só agora, à beira das eleições legislativas, é que o primeiro-ministro promete reduzir as deduções fiscais dos mais ricos. Se for eleito. Se o povo lhe der a tão desejada maioria absoluta. É preciso não esquecer que foi este primeiro-ministro que terminou com a obrigatoriedade de declarar as manifestações de riqueza em sede de IRS. É preciso lembrar que este primeiro-ministro defende o fim dos paraísos fiscais (vulgo, offshores)... excepto o da Madeira. É preciso não esquecer que este primeiro-ministro nacionalizou de forma célere o BPN, mas diz desconhecer situações de falências fraudulentas e despedimentos ilegais. Quando está à vista de todos que muitos destes processos de despedimento colectivo, destes encerramentos não são mais do que um aproveitamento abusivo da crise económico-financeira para que o patronato possa a seu bel-prazer aumentar os lucros à custa, uma vez mais, da classe trabalhadora. Haja vontade de investigar!




Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Síndrome do Pinóquio

A expressão não é minha, mas de um dos intervenientes do Fórum da TSF, que hoje debateu as propostas ontem apresentadas pelo primeiro-ministro relativamente à reforma do sistema fiscal. Mas subscrevo-a inteiramente! José Sócrates sofre da Síndrome do Pinóquio. Mente descarada e sistematicamente e está convencido de que os portugueses não se apercebem, que têm memória curta e, por isso, não se coíbe de lhes pedir uma nova maioria absoluta.

 

Sempre partilhei dos valores da Esquerda. Sempre voltei à Esquerda. Nas últimas eleições legislativas votei no PS. Ou melhor, em José Sócrates. No projecto que apresentou. Na forma convincente como prometia reformar o país de modo a colocá-lo na linha da frente. Mas há muito que me arrependi. Sinto-me traída. E por isso, sinto o dever patriótico de nas próximas legislativas não votar no PS. E como eu, milhares de portugueses. Porque se José Sócrates conquistar nova maioria, seja ela relativa ou absoluta, tenho que concordar com o Alberto João Jardim: os portugueses devem estar loucos.

 

Quando, ontem, José Sócrates afirmou que "o emprego deve ser a prioridade das prioridades sociais em Portugal", estava, de facto, a assumir que nestes últimos quatro anos a questão do emprego não foi uma prioridade para o seu Governo. E não há como desmenti-lo! Diariamente, centenas de portugueses conhecem a realidade do desemprego sem verem garantidos minimamente os seus direitos. Em presas que reberam apoio financeiro do Estado para se instalarem em Portugal, estão a deslocalizar as suas instalações sem honrar os compromissos assumidos, sem que o Estado faça o que quer que seja.

 

Quando, ontem, José Sócrates anunciou que "é injusto os titulares de altos rendimentos gozarem hoje de maiores deduções do que a classe média", estava, de facto, a admitir que o seu Governo nada fez, nos últimos quatro anos, para alterar esta situação.

 

E os exemplos não têm fim.

 

É mais do que tempo de os portugueses tomarem as rédeas do país e dizerem NÃO a este partido e a este primeiro-ministro!




Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Como lidar com o desemprego?

Os despedimentos na Controlinveste fizeram-nos pensar mais seriamente sobre o assunto. Estamos habituados a lidar com o despedimento dos outros, não com o nosso ou com o dos nossos pares, principalmente quando nos são próximos. Estamos habituados a perguntar aos outros desempregados como lidam com a situação, o que vão fazer a seguir, como se sentem, mas não estamos preparados para lidar com a situação quando nos toca directamente. Como lidar com o desemprego? Como conviver com um colega que sabe que dentro de um, dois meses está desempregado? Como não pensar que poderíamos estar no lugar dele? Ou que poderemos ser o próximo? A crise, a maldita crise, obriga-nos a confrontar com estas questões dolorosas com as quais ninguém deseja ser confrontado.




Sábado, 15 de Março de 2008
Celebrar o quê?

O Governo e os militantes do PS juntaram-se hoje no Pavilhão Académico, no Porto, para celebrar os três anos de mandato do executivo. Um encontro onde não se falou dos (vários) erros cometidos, porque não vale a pena perder tempo com estes, como sublinhou, durante a semana Vitalino Canas, mas sim das medidas consideradas "positivas, sérias e corajosas" e do futuro de Portugal. Foi a festa da celebração rosa, onde só tiveram lugar aqueles que têm o cartão de cliente. Os outros, os milhares de portugueses que se sentem enganados por este Governo, que sofrem diariamente na pele as consequências das tais medidas "positivas, sérias e corajosas" não tiveram direito a participar na festa. Será que o Governo só governa para o PS?!

 

 

Mas o que há para celebrar?

- o aumento da taxa de desemprego?

- o aumento da taxa de inflacção?

- o aumento dos juros do crédito à habitação?

- a redução real dos salários?

- a fuga de muitas empresas para a Europa de Leste?

- a fuga de grandes crânios nacionais para o estrangeiro?

- o fecho de maternidades, centros de saúde e hospitais?

- a tentativa de controlo e de censura aos meios de comunicação social?

- a perseguição a sindicalistas e manifestantes?

- etc.,

- etc.,

- etc.,?

 

Meus senhores:

Antes de decidirem celebrar o que quer que seja, olhem para o país real, vistam a pele do português, sintam as suas dificuldades diárias, as duas dores, os seus medos, as suas incertezas, e depois digam-nos se ainda têm vontade de celebrar seja o que for.


Jamé...:
Música: Relato Leixões vs F.C. Porto, na TVI


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