... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Crise, qual crise?

Por causa da crise financeira mundial, todos os dias encerram fábricas e empresas e milhares de trabalhadores ficam no desemprego. Famílias que até há pouco tempo viviam relativamente desafogadas, hoje contam os trocos para ver se o dinheiro chega até ao fim do mês, enquanto dão voltas e voltas à cabeça para descobrir como vão pagar a próxima prestação da casa. Os pobres estão cada vez mais pobres. A fome alastra-se um pouco por todo o mundo, como uma pandemia. Os bancos decretam falência. Os Governos dizem-se impotentes para, sem mais sacrifício dos contribuintes, conseguirem a retoma do sistema financeiro. E no meio de todas estas notícias de mau prenúncio, eis que surge uma que nos prova, uma vez mais, que a crise não toca a todos e que, por si só, é uma verdadeira afronta a todos aqueles que passam uma vida inteira a trabalhar, por vezes em condições bastante duras, para no fim, não terem se não uns trocos: Cristiano Ronaldo jogar no Real Madrid e ganhar anualmente entre 9 a 10 milhões de euros (fora os extras, claro!). Mais palavras para quê?




Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Desemprego galopante

Cresce assustadoramente o número de desempregados em Portugal. Todos os dias, mais uma fábrica fecha portas, mais uma empresa reduz o quadro de pessoal, mais umas quantas dezenas de famílias ficam sem saber como sobreviver. Sim, porque é de sobreviver que se trata. A classe média, trabalhadora, já não consegue apertar mais o cinto. Durante anos e anos, viveu com a promessa do Eldourado e, no fim, o que lhe dão não é mais do que uma mão cheia de nada e um pontapé no rabo. Portugal é, em toda a Europa, o país onde o fosse entre ricos e pobres é maior. A justiça social e fiscal não existe e só agora, à beira das eleições legislativas, é que o primeiro-ministro promete reduzir as deduções fiscais dos mais ricos. Se for eleito. Se o povo lhe der a tão desejada maioria absoluta. É preciso não esquecer que foi este primeiro-ministro que terminou com a obrigatoriedade de declarar as manifestações de riqueza em sede de IRS. É preciso lembrar que este primeiro-ministro defende o fim dos paraísos fiscais (vulgo, offshores)... excepto o da Madeira. É preciso não esquecer que este primeiro-ministro nacionalizou de forma célere o BPN, mas diz desconhecer situações de falências fraudulentas e despedimentos ilegais. Quando está à vista de todos que muitos destes processos de despedimento colectivo, destes encerramentos não são mais do que um aproveitamento abusivo da crise económico-financeira para que o patronato possa a seu bel-prazer aumentar os lucros à custa, uma vez mais, da classe trabalhadora. Haja vontade de investigar!




Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
Porque ontem foi domingo...

 

Em tempo de crise, até estes precisam de ajuda...

 




Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Como lidar com o desemprego?

Os despedimentos na Controlinveste fizeram-nos pensar mais seriamente sobre o assunto. Estamos habituados a lidar com o despedimento dos outros, não com o nosso ou com o dos nossos pares, principalmente quando nos são próximos. Estamos habituados a perguntar aos outros desempregados como lidam com a situação, o que vão fazer a seguir, como se sentem, mas não estamos preparados para lidar com a situação quando nos toca directamente. Como lidar com o desemprego? Como conviver com um colega que sabe que dentro de um, dois meses está desempregado? Como não pensar que poderíamos estar no lugar dele? Ou que poderemos ser o próximo? A crise, a maldita crise, obriga-nos a confrontar com estas questões dolorosas com as quais ninguém deseja ser confrontado.




Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Emprateleirados

Só quem nunca viveu uma situação destas é que pode desvalorizar o estado de espírito de quem se encontra "na prateleira". É das situações mais desgastantes do ponto de vista psicológico e humilhantes do ponto de vista humano. Em tempo de crise financeira, as situações multiplicam-se. Os dias de incerteza servem de argumento às empresas para retirar de funções os empregados que já não lhes interessam, à espera que estes cedam e acabem por se ir embora de livre vontade.

 

 

E não pensem que apenas os funcionários de categoria inferior são afectados por este mal das sociedades ditas desenvolvidas. Este é um vírus que atinge todas as classes e níveis profissionais. Sei de pessoas com cargos de chefia que, depois de terem trabalhado no duro para o crescimento da empresa, são destituídos do cargo e isolados do resto da equipa até a pressão psicológica ser de tal forma que desatam a chorar como crianças assustadas. Sei de pessoas colocadas sem funções em caves sem janelas, dia após dia, ano após ano, obrigadas a cumprir um dia inteiro de trabalho. Funcionários de empresas que até têm projectos de solidariedade social... mas apenas para inglês ver.

 

 

Em tempos de crise, como os que vivemos actualmente, o chamado assédio moral agudiza-se e o ambiente nos locais de trabalho torna-se ainda mais pesado e irrespirável. Aumentam as desconfianças entre colegas, a competição doentia, horas de trabalho, as fragilidades psicológicas e emocionais com custos altíssimos, não só para os funcionários individualmente, mas também para as empresas e o próprio Estado. Mas estas são contas que nem uns, nem outros gostam de fazer.




Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
Crise? Qual crise?

Todos os dias ouvimos falar dela, de manhã à noite. Dessa crise financeira mundial que começou do outro lado do Atlântico, mas que rapidamente chegou aos nossos bolsos sem pedir licença. Todos os dias ouvimos dizer que os índices bolsistas tocaram no vermelho e que o pânico está prestes a instalar-se. Sem percebermos muito bem a engrenagem desta máquina complexa. Mas o sistema é mais simples do que parece à primeira, como se pode depreender desta Parábola do Índio, que tomei emprestada do blogue «Cheiro a Pólvora» (http://cheiroapolvora.blogspot.com) do meu colega da RTP Luís Castro:

 

«Os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um chefe índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo. No entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, que deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.

Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia: dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou: "O próximo Inverno vai ser frio?" -"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio", respondeu o meteorologista de serviço.

O chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico: "Vai ser um Inverno muito frio?" "Sim!", responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".

Mais uma vez o chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional: "Vocês têm a certeza de que este Inverno vai ser mesmo muito frio?" "Absolutamente!" respondeu o homem, "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."

"Como podem ter tanta certeza?", perguntou o chefe. O meteorologista respondeu: "Os índios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."»




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