... ou a arte de bem fazer política à portuguesa

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
Casa das Consciências Tranquilas

 

 

A expressão é de um motorista de táxi que ontem me conduziu à Assembleia da República e, se reflectirmos um pouco, não é de todo disparatada. Mais! Ao termo "tranquilas" atrever-me-ia a acrescentar o termo "relaxadas".

 

Não frequento muito aquela que é a casa dos deputados da Nação, mas nessas poucas vezes saí sempre com um sentimento de profundo desânimo e até mesmo de vergonha em relação à postura dos nossos representantes nas reuniões de trabalho. E onte, durante a audição do governador do Banco de Portugal em sede de Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, assisti, uma vez mais, ao laxismo e à falta de respeito dos nossos deputados para com os intervenientes e para com a instituição que representam.

 

Desde entrarem e saírem constantemente da sala para falar ao telemóvel ou, pior, falarem ao telemóvel no interior da sala enquanto decorria a audição (há um deputado de Direita que bate todos os recordes!); desde conversarem entre si, alto e bom som, e até mesmo soltarem sonoras gargalhadas (neste item, uma deputada de Esquerda ganha a todos), até navegarem na Internet ou escreverem um qualquer trabalho académico ou artigo político; desde assinarem a folha de presenças e saírem a meio das reuniões; há de tudo um pouco.

 

Cada vez mais me conveço que, de facto, não são necessários tantos deputados na Assembleia da República se o seu papel se limita a preencher o quórum. Como diz o velho ditado: "Vale mais poucos e bons do que muitos e maus".




Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008
Uma prenda para os trabalhadores

O Tribunal Constitucional chumbou ontem a norma do Código de Trabalho que alargava o período experimental dos trabalhadores indiferenciados de 90 para 180 dias. O diploma terá, assim, regressar à Assembleia da República, o que significa que a nova lei não entrará em vigor no próximo dia 1 de Janeiro. Um pequeno presente aos milhares de trabalhadores que discordam do novo Código de Trabalho.




Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
O orçamento do Governo do choque tecnológico

O Governo do choque tecnológico, do computador Magalhães e das escolas ligadas à internet não conseguiu entregar, a tempo e horas, na Assembleia da República, o Orçamento de Estado para 2009. Apesar de ter sido esse mesmo Governo a solicitar a antecipação da data de entrega em um dia, devido a compromissos do senhor Ministro das Finanças. Apesar de este ter feito questão de sublinhar que "este documento, até o computador Magalhães abria". Pudera...

 

 

O Governo não entregou, a tempo e horas, nem sequer o documento por inteiro. Limitou-se a entregar no Parlamento uma pen USB com parte do documento, sem anexos, nem mapas. O dia foi de tal forma aziago em termos informáticos que até os próprios serviços da Assembleia da República tiveram dificuldade em fazer cópias dos documentos para entregar aos deputados. O que levou alguns destes a afirmar que "tudo não passou de uma encenação".

 

 

Argumentar que tudo se deveu a "complexidade dos documentos" e fingir que não se passou nada de anormal, como fez o primeiro-ministro (que recusou comentar o caso alegando ter pessoas à sua espera para jantar), não é próprio de um Governo que se diz adepto das novas tecnologias, que adopta políticas de desmaterialização de documentos e de serviços on-line, e muito menos dignificante de um primeiro-ministro que está constantemente a pedir aos portugueses que confiem nele porque, "ao contrário de outros", não vira a cara aos problemas.




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