... ou a arte de bem fazer política à portuguesa
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
A justiça e a mediatização dos casos

Ana Rita, a jovem que acampou e esteve em greve de fome à porta do Tribunal de Cascais, como forma de protesto pelo facto de o seu filho ter sido considerado adoptável, viu recentemente o processo ser revisto e amanhã vai poder visitar Martim no Refúgio Aboim Ascensão, em Faro. Mais: brevemente, a criança será transferida para um centro de acolhimento próximo da área de residência dos pais.

 

Hoje, uma outra família, desta vez em Coimbra, decidiu seguir os mesmos passos de Ana Rita e acampou e iniciou uma greve de fome à porta do Tribunal de Menores. Também neste caso, a família reclama que uma criança, que foi retirada aos pais por uma situação de alegados maus-tratos entre estes e que foi dada igualmente para adopção, retorne a casa.

 

O efeito de imitação é por demais evidente. E é por demais preocupante. Por muito que nos garantam que a Justiça é imune à mediatização dos casos, que este tipo de comportamento em nada influencia as decisões dos juízes, a verdade é que casos como estes semeiam a dúvida em muitos cidadãos. E não será de estranhar se, cada vez mais, quem está a contas com a justiça e se sente injustiçado recorra a estes meios para fazer ouvir a sua voz.




4 comentários:
De Zé da Burra o Alentejano a 10 de Julho de 2009 às 12:12
Ana Rita, a mãe do Martim poderia ser ainda chamada de criança quando nasceu o seu filho e ainda não tem hoje sequer idade pra trabalhar, para se sustentar a si e ao seu filho, por isso irá precisar do apoio do pai do Matim e dos avós.
Nestes casos, que envolvem progenitores crianças, não deveria ser decidida a adopção dos seus filhos tão rapidamentem, mais a mais sabendo nós que há tantas crianças que não chegam sequer a ser adoptadas por falta de candidatos a adoptantes.
Não sei como são as feitas as investigações que determinam a adoptabilidade de uma criança, porém, os avós deverão (ou deveriam) ser sempre ouvidos e, caso queiram (quizessem) assumir a tutela da criança, essa possibilidade deveria ser-lhes sempre permitida. E as condições económicas não deverão ser nunca o motivo de impedimento para ficar com os filhos (ou com os netos), de contrário tornamo-nos numa sociedade perversa que impede os pobres de procriar e educarem os seus filhos. Assim, esse seria mais um previlégio para os quanto muito os cidadão de classe média, porque aos pobres faltarão sempre condições económicas que determinam as restantes condições, excepto as do afeto.

Zé da Burra o Alentejano


De FM a 13 de Julho de 2009 às 20:24
De facto, se só for tido em conta o factor económico, serão cada vez menos os portugueses com condições para criar uma criança. Mas há muito mais factores a serem ponderados. O superior interesse da criança está sempre em primeiro lugar, mas, muitas vezes, em nome desse superior interesse, acaba-se por prejudicar a criança e a família biológica, na qual ela deveria estar integrada.


De Catarina a 12 de Julho de 2009 às 17:07
Tem razão no que diz. Eu concordo consigo mas... como saber o que se passa na cabeça e principalmente no coração destas pessoas? Como saber qual a dimensão do seu sofrimento e desespero?
Mesmo no caso das pessoas que noutras alturas não eram competentes, capazes ou responsáveis o bastante para assegurar a educação e bem-estar de uma criança, até mesmo essas têm (ou deveriam ter) direito a que analisassem se agora as têm e isso leva-me a outra questão. Não deveria ser dado tempo e apoio a essas famílias para criarem as condições necessárias em vez de tratarem logo de "enviar" (passo a expressão) as crianças para adopção?
Se a família não mostrar ser capaz depois de um certo período suficiente para tal e depois de esgotadas todas as possibilidades, aí sim, ponderar-se-ia a adopção.


De FM a 13 de Julho de 2009 às 20:20
A minha critica não vai tanto para quem opta por esta forma de protesto, mas para o facto de o funcionamento do sistema judicial as obrigar muitas vezes a recorrerem a esta forma desesperada de se fazerem ouvir. É lamentável e é preocupante quando tal acontece!


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