... ou a arte de bem fazer política à portuguesa
Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
A Origem do Mundo

Trinta e cinco anos após o 25 de Abril, existe ainda um Portugal que se recusa a acompanhar os ventos de mudança, que se refugia nos preceitos de um catolicismo castrador, que tem medo (para não dizer mesmo nojo) do seu corpo e da sua sexualidade.

 

Só assim se consegue explicar as muitas denúncias apresentadas na PSP contra a exposição, na Feira do Livro em Saldo, em Braga, do livro "Pornocracia", cuja capa apresenta uma cópia de "A Origem do Mundo", a mais famosa pintura de Gustave Coubert, fundador do Realismo. Tudo porque esta retrata as coxas e o sexo de uma mulher.

 

 

Considerar pornográfica ou obscena esta imagem, pelo simples facto de retratar uma parte do corpo que no consciência de muito boa gente representa algo impuro (é dali que saem as impurezas do corpo) ou o pecado original (o prazer no acto de conceber), sem ter em conta o contexto em que foi produzida, nem o porquê de constar na capa daquele livro em particular, é sintoma de um provincianismo próprio de Estados onde impera a doutrina da Igreja. Não consta que se tenham manifestado da mesma forma em relação à capa do livro "A Casa dos Budas Ditosos", de João Ubaldo Ribeiro, que apresenta uma mulher a masturbar-se.

 

Argumentar que a Feira do Livro em Saldo é frequentada por crianças e jovens (queixosos) ou que só assim foi possível evitar confrontos (PSP de Braga) não deixa de ser demagógico. Será que esses mesmos defensores da moral pública se preocupam da mesma forma tão zelosa com a exposição de jornais pornográficos/eróticos nos quiosques e papelarias? Com os conteúdos pornográficas que se podem facilmente comprar via telemóvel? Ou com os sites na Internet acessíveis a qualquer um?




2 comentários:
De Aeroporto de Alcochete a 25 de Fevereiro de 2009 às 16:55
Posso compreender mas não concordo totalmente com a sua opinião.
Imagine que se tratava de uma pintura de um sexo masculino em erecção, do tipo Bordalo das Caldas, pensa que seria de bom gosto expô-lo na montra de uma feira do livro?


De FM a 25 de Fevereiro de 2009 às 23:24
Por essa lógica de pensamento, deveria ser proibida a exposição, nas montras das lojas, da tão famosa loiça das Caldas com a forma de falos, uma vez que crianças e jovens podem ver essas mesmas peças e ficar chocados. Já para não referir os livros dirigidos a essas mesmas crianças e jovens, onde para explicar os sistemas reprodutores feminino e masculino, por vezes se recorrem a desenhos das vaginas e dos pénis. Não se confundam as coisas! Não se confunda o nú com a pornografia. Aquela pintura tem uma razão de ser a sua colocação na capa daquele livro também. O que falta, muitas vezes, é cultura a algumas pessoas.


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