... ou a arte de bem fazer política à portuguesa
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Entre Muros e Favelas

Nunca fui ao Rio de Janeiro. Melhor, nunca fui ao Brasil. Confesso que não é um destino de eleição, apesar de todos quantos o já visitaram contarem maravilhas do país. As praias, o calor, a música, a água de coco, o pantanal, o samba, a capoeira, um sem número de atractivos para turista ver. Falam disso tudo, menos na miséria e na violência, no medo e nas vivências das favelas. Nunca vi "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, mas hoje assisti ao "Entre Muros e Favelas", um documentário realizado em 2004, que retrata a violência policial contra os moradores das favelas através do testemunhos destes. E confesso que fiquei arrepiada com as imagens de marcas de balas nas paredes, com os relatos das mães que perderam os filhos durante intervenções da Polícia Militar, com a forma como os polícias lidavam com os corpos que acabaram de abater e com os pormenores que vários investigadores sociais, que participaram nas Jornadas sobre Segurança e Violências Urbanas: Perspectivas Comparadas entre Brasil e Portugal,deram sobre a vida nas favelas do Rio de Janeiro.

 

 

Não assisti a todo o debate que se seguiu, nem à exibição de um segundo documentário, este sobre o realojamento na Azinhaga dos Besouros, na Amadora, mas não pude deixar de pensar em como fenómenos semelhantes (embora em menor escala) possam germinar nos bairros degradados e sociais das periferias de Lisboa e do Porto. É importante que as forças policiais não passem a mensagem de que há, em Portugal, territórios onde os seus agentes não entram; é importante que o combate ao crime se faça de uma forma sistemática e consistente e não com intervenções musculadas e de show-off como as que assistimos no verão passado; é positivo reforçar o número de elementos da PSP e GNR e atribuir-lhes novos equipamentos; mas, acima de tudo, é imperativo que o Estado social cumpra a sua função.

 

 

Mais importante do que combater o crime, é preveni-lo. E isso faz-se criando emprego, criando justiça social e fiscal, acabando com a discriminação, apostando na escolarização e formação profissional, apoiando as pequenas empresas e o pequeno comércio, combatendo o fosso entre ricos e pobres. É tudo isto que falha nas favelas do Rio de Janeiro. É tudo isto que falta fazer nos bairros pobres das periferias de Lisboa e do Porto.

 




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