... ou a arte de bem fazer política à portuguesa
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
Casa das Consciências Tranquilas

 

 

A expressão é de um motorista de táxi que ontem me conduziu à Assembleia da República e, se reflectirmos um pouco, não é de todo disparatada. Mais! Ao termo "tranquilas" atrever-me-ia a acrescentar o termo "relaxadas".

 

Não frequento muito aquela que é a casa dos deputados da Nação, mas nessas poucas vezes saí sempre com um sentimento de profundo desânimo e até mesmo de vergonha em relação à postura dos nossos representantes nas reuniões de trabalho. E onte, durante a audição do governador do Banco de Portugal em sede de Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, assisti, uma vez mais, ao laxismo e à falta de respeito dos nossos deputados para com os intervenientes e para com a instituição que representam.

 

Desde entrarem e saírem constantemente da sala para falar ao telemóvel ou, pior, falarem ao telemóvel no interior da sala enquanto decorria a audição (há um deputado de Direita que bate todos os recordes!); desde conversarem entre si, alto e bom som, e até mesmo soltarem sonoras gargalhadas (neste item, uma deputada de Esquerda ganha a todos), até navegarem na Internet ou escreverem um qualquer trabalho académico ou artigo político; desde assinarem a folha de presenças e saírem a meio das reuniões; há de tudo um pouco.

 

Cada vez mais me conveço que, de facto, não são necessários tantos deputados na Assembleia da República se o seu papel se limita a preencher o quórum. Como diz o velho ditado: "Vale mais poucos e bons do que muitos e maus".




1 comentário:
De Aeroporto de Alcochete a 25 de Janeiro de 2009 às 12:06
Meus caros,

eu também me preocupo com o património, mas pergunto, não estarão sempre os valores acima das pedras e das artes na criação sustentada das culturas?
Parece-me que temos caminhado sob tendências paralelas à da civilização Azteca, monarquia electiva, sacrifícios humanos ou sociais e tecnologia avançada.
Se me é permitido antecipar uma visão, espero continuar a inibir-me de contribuir para a ênfase no foco na simbólica construção de imensas pirâmides hierárquicas e classistas, pois é por outros interesses mais comuns que vale a pena lutar e perservar a identidade cultural da Nação Ibérica.


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